28 de fev. de 2010

"Pode ser que haja quem aposte na fratura (militar x civil) exatamente como meio de neutralizar a ação policial"







"Pode ser que haja quem aposte na fratura (militar x civil) exatamente como meio de neutralizar a ação policial"


Fontes das imagens:
<http://fujifilm.co.uk/media/dContent/mediaCentre/Products/Features/S200EXR/Zoom.jpg>


postado por George Felipe de Lima Dantas
em 28 de fevereiro de 2010

De: HK <hkbrazil@gmail.com>
Data: 28 de fevereiro de 2010 13:46
Assunto: Da arte da fotografia (REVISTO E AUMENTADO)
Para: George Felipe de Lima Dantas <delimadantas@gmail.com>
Prezado Amigo,

Acuso o recebimento de artigo em que você homenageia policiais do Distrito Federal que foram colhidos pelo infortúnio no Haiti. Associo-me ao seu lamento pela perda dessas vidas. Lamento ainda por todos os policiais que tombam no cumprimento do dever.

Sou-lhe grato por mais uma vez brindar-me com o envio de texto de sua lavra. Peço-lhe, contudo, máxima vênia para fotografar com lente diversa à sua o tema a propósito do qual essa justa homenagem se deu em seu texto: a formidável ação integrada das polícias do Distrito Federal que impediu invasão criminosa de propriedade na região administrativa do Itapoã.

Você optou por teleobjetiva (ou macro); eu, por grande angular. Ambos nos deparamos com a ação policial no contexto de praticamente inexistência de governo e de paralisia decisória da Câmara Distrital.

Orgulhou-se você: as polícias agiram integradas, no devido cumprimento da lei, APESAR da praticamente inexistência de governo. Retirou da sacola a sua teleobjetiva e... bela foto: eis que as polícias civil e militar devem, podem e conseguem agir integradas. Falou mais alto em você o policial e um dos maiores especialistas brasileiros em segurança pública.

Ao seu lado, não me escapou o extraordinário tão bem fotografado por você. Mas por formação sou um cientista político e por atividade profissional especialista em políticas públicas e gestão governamental: procurei documentar o, de fato, extraordinário da sua foto, mas no contexto mais amplo das outras instituições do Estado. Lancei mão de uma grande angular. Eis a dúvida que tomou conta de mim: será que a ação integrada e exitosa das polícias se deu PORQUE praticamente inexistia governo?

Pelo étimo, sabemos que o vocábulo polícia é de natureza nobilíssima: Πολιτεία, o conjunto dos cidadãos. Mas o destino cuidou que gozasse da mesma má fama de sua irmã: política. A língua inglesa, por seu turno, encontrou no latim o que definiria o plano no qual se compreende a atividade policial: law enforcement. Em português: a polícia faz parte das instituições do Estado as quais incumbe zelar pelo cumprimento da lei. Assim, a instituição policial é parte importantíssima do que chamamos de Estado de Direito.

Se a ação policial só encontra eficácia no contexto da inexistência prática de outras instituições do Estado, notadamente aquela a qual se subordina, o Executivo, está-se diante de fato gravíssimo. É o que ocorre também quando a polícia deixa de ser instrumento da lei para ser também instrumento mas da simples vontade do governante.

Voltando. É plausível a hipótese de que a referida ação policial tenha logrado êxito PORQUE o governo praticamente inexistia. Contando com representantes na Câmara Distrital ou não, a quem os invasores poderiam recorrer para impedir a ação policial? Lembremo-nos, a invasão não havia ocorrido ou, ao menos, a propriedade não havia sido ocupada, logo não cabe falar em recurso ao judiciário.

De modo nenhum pretendo retirar o mérito das polícias do Distrito Federal. Deploro, isso sim, que haja óbices de dificílima superação para a ordinária e correta atuação policial. Não nos esqueçamos que há unidade federada em nosso País em que as decisões judiciais de reintegração de posse são continuadamente desobedecidas: o governante desautoriza, melhor, proíbe a polícia de agir. Insisto, se a hipótese se comprovar, é o que aconteceria na Capital.

Defrontamo-nos, enfim, com grave falha de engenharia institucional. Para as polícias, a dúvida: pode ser que haja quem aposte na fratura (militar x civil) exatamente como meio de neutralizar a ação policial. É claro que não estou a afirmar que essa fratura exista PORQUE foi pensada para neutralizar a ação policial. Mas uma vez que ela existe, é campo fértil para o semeio da discórdia.

Como vê, amigo, de um mesmo ponto de vista, o universo de valores e instituições que definem o Estado de Direito, mudada a lente, a fotografia é outra. Ocioso perguntar qual delas capta o efetivo: com a teleobjetiva, contentamento; com a grande angular, preocupação.

Abraço,
Hiro

27 de fev. de 2010

Socorro! Como cidadão, estou pedindo socorro!




postado por George Felipe de Lima Dantas

em 27 de favereiro de 2010


Socorro! Como cidadão, estou pedindo socorro!
Wellington Corsino do Nascimento

Cidadão Brasiliense,

Estamos presenciando a articulação nos ambientes político, empresarial e em alguns setores da sociedade de um estranho processo de “Lobby” contra a intervenção federal na capital de todos os Brasileiros. Alardeiam esses mentores políticos que esse movimento é para preservar a autonomia política do Distrito Federal e isso é deveras questionável. A intervenção é um instrumento jurídico previsto na Constituição Federal para restabelecer a ordem pública e o funcionamento ético legal das instituições em casos como o que estamos presenciando no DF e, que nos deixa envergonhados devido a tanta sujeira ética e moral. Perderam-se os referenciais e inverteram-se os valores no trato da coisa pública. Uma vergonha!

Esse escândalo alcançou o âmago dos poderes Executivo e Legislativo local. Vimos imagens chocantes, documentos, depoimentos, reportagens e a tentativa vã dos políticos corruptos em mentirem ou tentarem manipular a opinião pública para esconderem os seus crimes num espetáculo deprimente sob todos os aspectos. Mas, as imagens foram contundentes e presenciamos um festival de provas que foram, inexoravelmente, desmascarando os principais corruptos ao longo desse processo. E nós, os cidadãos enganados nos sentimos impotentes e sem mecanismos de defesa institucional para nos contrapormos a essa organização criminosa que se instalou no DF. Constatamos perplexos, que as instituições de estado estavam dominadas pela corrupção! Até a Polícia estava à mercê dessa estrutura.

Um fato que chamou a nossa atenção foi o comportamento da mídia local após as primeiras denuncias, pois os principais jornais do DF apenas noticiaram poucas linhas e sempre tangenciando a verdadeira dimensão do escândalo. Quem, realmente, divulgou a verdade na profundidade real dos fatos foram os jornais e as redes de televisão de âmbito nacional capitaneadas pela Rede Globo de Televisão. A internet através dos blogs de cobertura política foi outra ferramenta de comunicação a serviço da verdade dos fatos. Esse conjunto da mídia merece o nosso respeito.

Parte da mídia local devido a sua omissão nos passou a impressão que apenas defendia um governador corrupto ao invés de informar a sociedade civil sobre a gravidade dos fatos. Pois, informar a população é a mais nobre missão de um órgão de comunicação social. É um pressuposto da democracia o direito da cidadania à informação. Agora esses órgãos locais que foram omissos na cobertura do escândalo, propriamente, dito estão apoiando um movimento para não haver intervenção no DF. Qual o verdadeiro interesse dessa estranha orquestração?

A quem não interessa a intervenção? Ela não interessa aos políticos corruptos, empresários corruptos e entidades que estão a serviço de interesses, no mínimo, inconfessáveis. Não interessa também aos políticos, empresários e às entidades que ainda não foram citados no escândalo pelas limitações temporais, investigativas e processuais. Todos eles têm os mesmos interesses escusos dos patrocinadores centrais desse escândalo ético moral e querem impedir todo e qualquer processo de apuração da verdade.

E a quem interessa a intervenção? Ela interessa à cidadania que deseja ver banida da nossa pratica político administrativa a corrupção e a impunidade dos que cometem delitos contra a fazenda e a ordem pública. Não podemos mais conviver com essa prática que subtrai da cidadania a qualidade dos serviços públicos ou patrocina, até mesmo, a ausência desses serviços porque os recursos públicos estão sendo desviados para a corrupção, para o enriquecimento ilícito das despudoradas autoridades estatais que têm como missão cuidar dos bens e serviços públicos. A intervenção também é um clamor da nossa jovem democracia e de um estado de direito que prescreveu esse remédio para ser aplicado justamente em momentos de gravidade como o que vivenciamos.

Então falseia a verdade quem diz que a intervenção é uma afronta à nossa autonomia política, e sabem por que mentem? Porque têm medo da devassa nos contratos firmados entre o GDF e as empresas e entidades que saquearam os cofres públicos nesse governo desprovido de qualquer proposta ético moral. Ainda podemos inferir que também não querem que sejam apurados outros fatos e a real dimensão da rede de corrupção que se instalou no governo do DF.

Desconfiamos que ainda existam cúmplices ocultos que não foram descobertos e não lhes interessam a profilaxia da intervenção. Essa não é uma discussão simplista sobre a linha sucessória de poder. É antes de tudo uma discussão sobre apurar a fundo os fatos e os crimes ocorridos sob todos os aspectos e punir exemplarmente todos os culpados. Sem exceção! Essa é a verdadeira questão que a cidadania deve debater à exaustão e defender com todas as forças. Chega de corrupção, chega de impunidade!

A gravidade da atual situação do Distrito Federal é de tamanha ordem que não vislumbramos outra solução plausível senão a aplicação do instituto da intervenção federal como único mecanismo eficaz para realizarmos uma apuração isenta e a conseqüente punição dos culpados. A normalidade democrática exige esse remédio, inclusive, como exemplo para as futuras gerações de políticos e de administradores públicos.

Nesse caso, a cidadania e a democracia têm na intervenção a forma mais efetiva de consertar-se de fato e legalmente a situação vexatória em que se encontra o Distrito Federal, chega de operação abafa desses políticos e desses empresários corruptos. Somente a eles não interessa a apuração dos fatos e dos crimes que foram cometidos por essa organização criminosa que se apossou do governo do Distrito Federal. Não podemos deixar que esses corruptos declarados e os ainda, escondidos da opinião e do julgamento público, tentem nos manipular e continuar nos saqueando.

Senhores Ministros do Supremo Tribunal Federal, Senhores Parlamentares do Congresso Nacional e Senhor Presidente da República. Os Senhores representam a nossa ultima instância da consciência moral. A cidadania, a ética coletiva e a legalidade democrática pedem socorro aos senhores. Defendam o cidadão de bem, a fazenda pública, a democracia, a ordem pública e o pacto ético moral da nossa Capital Federal. Apurem todos os fatos e todos os crimes na maior profundidade possível e punam, exemplarmente, todos os corruptos que se instalaram, usurparam e roubaram o cidadão e as instituições do Distrito Federal.

Socorro! Como cidadão, estou pedindo socorro!
Wellington Corsino do Nascimento

Hipocrisia e Hipercrisia: Colocando as Coisas de Volta ao Lugar com Pizzas e Panetones








Fonte da imagem:

Fonte da imagem:



Por George Felipe de Lima Dantas -- em 27 de fevereiro de 2010



A expressão hipercrisia está citada em “Power Increases Hypocrisy: Moralizing in Reasoning, Immunity and Behavior” – “O Poder Aumenta a Hipocrisia: Moralidade baseada na Razão, Imunidade e Comportamento”. Trata-se de um trabalho de pesquisa acadêmica sobre o tema da relação entre o poder e a hipocrisia, de autoria de Adam Galinsky (da Kellogg School of Management, Northwestern University, EUA) & Joris Lammers e Diederik Stapel (da Tilburg University, Holanda). O estudo parece bastante inspirado no “mundo real”, representando uma pesquisa acadêmica que busca confirmar ou não a sabedoria do “homem comum”, instrumentada com a validade e confiabilidade próprias da abordagem científica.



A pesquisa realizada incluiu grupos de indivíduos submetidos a situações experimentais que induziam auto-percepções de ter ou não ter poder. Cinco experimentos foram feitos com a finalidade de determinar se o poder aumenta a hipocrisia moral, circunstância em que são impostos altos padrões éticos “nos outros”, mas cuja prática, tanto da parte de poderosos quanto daqueles sem poder, revela comportamento hipócrita.



No primeiro experimento, considerando os “sem poder”, os poderosos condenaram a mentira dos primeiros, mas não tanto a deles mesmos. Nos três experimentos seguintes os poderosos foram mais rigorosos no julgamento das transgressões morais “dos outros”, do que na prática correspondente deles próprios.



Um experimento final determinou que o efeito do poder sobre a hipocrisia dependeria da legitimidade da fonte do poder na percepção de quem o exerce. No caso do poder ser considerado ilegítimo, a hipocrisia não só desapareceria como também seria revertida. Os detentores do poder ilegítimo seriam mais rigorosos com eles mesmos do que com os outros, em uma reversão da hipocrisia chamada hipercrisia. O fenômeno estaria presente não apenas entre os poderosos, mas também entre os sem poder, quando entendida como ilegítima a fonte de poder. Uma consideração mais ampla do estudo é a de que, tanto a hipocrisia quanto a hipercrisia se constituem em fatores de perpetuação da desigualdade.



O trabalho desses acadêmicos norte-americanos e holandeses vai comentado no periódico britânico “The Economist” (semanário com tiragem de 1,4 milhões de cópias), na edição de janeiro de 2010, sob o título “Absolutely: Power corrupts, but it corrupts only those Who think they deserve it” – Definitivamente: o Poder corrompe, mas corrompe apenas aqueles que acham merecer o poder. O título da matéria de janeiro de 2010 do “The Economist” parece evocar o de outra pesquisa anterior correlata, dos mesmos autores, comentada na revista “Time”, edição de maio de 2008, “Does Power Corrupt? Absolutely Not” – Será que o Poder Corrompe? – Definitivamente, Não. Ou seja, existe uma “linhagem” de estudos, dos mesmos autores, sobre poder, hipocrisia e corrupção.



Um artigo contendo a comunicação acadêmica clássica, in totum, da mesma interessante pesquisa sobre poder e hipocrisia deverá ser publicado em edição do início de 2010 no periódico especializado Psychological Science. Ele é um mensário líder na área respectiva, bem como em questões derivadas das ciências comportamentais com rebatimento nos setores de governo e de questões públicas em geral.



Tratar do tema "poder e hipocrisia", à moda brasileira, seria como se Galinsky, Lammers e Diederik questionassem a validade dos fundamentos de velhões bordões do anedotário popular, tais como “Não julgue para não ser julgado” (bíblico), “o pau que dá em Chico não é o mesmo que dá em Francisco” (regional) e vários outros mais similares. É a metodologia científica sendo aplicada sobre a sabedoria popular, tendo esta última como hipótese a ser testada.



O Houaiss ensina que a hipocrisia é um adjetivo que traduz “a característica do que é hipócrita”. Já o substantivo conota falsidade, dissimulação ou fingimento. Ele consta até mesmo do Evangelho de Mateus (23:28), referido por Jesus de Nazaré, “Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e iniqüidade”.



Recorrendo novamente ao tratadista Housaiss, a etimologia do termo remontaria ao grego -- hupokrisía, as; hupókrisis, eós --, resposta, resposta de oráculo; ação de desempenhar um papel, uma peça, uma pantomima; desempenho teatral, declamação; dissimulação, falsa aparência. Todos esses possíveis significados e conotações parecem referir atributos e situações tão ou mais atuais e prevalentes hoje, do que em tempos de Cristo, ou mesmo antes, ainda na milenar Grécia antiga.



A sociedade brasileira tem sido confrontada, muito recentemente, em seus “valores morais”, por notícias de apurações de vários escândalos envolvendo os “poderosos” da nação. Os escândalos usualmente incluem o desvio de verbas públicas, incluindo negociatas políticas feitas com elas, em um exercício disfuncional ou desviante da prática da “ciência e arte da política”. A articulação desses escândalos, quando revelada, envolve caracteristicamente a hipocrisia (nos diferentes sentidos definido pelo Houaiss...) e os detentores do poder. A hipocrisia é algo ainda mais controverso eticamente, em se tratando de titulares de cargos públicos eletivos ou de indicação por altas autoridades de governo. A hipocrisia, sintomaticamente -- em relação ao exercício do poder -- parece ser a tônica atual de escândalos envolvendo os mais altos escalões de poder do país.



O estudo acadêmico europeu e norte-americano sugere que existam operadores políticos que se acham de tal maneira protegidos (imunes), que se permitem um exercício amoral do poder (comportamento) e, segundo esta mesma lógica (razão), um discurso e uma prática ética diferenciada entre a deles e a dos outros (hipocrisia). É o “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”. Segundo tal razão ou raciocínio, comportamentos baseados em um conceito de poder legítimo seriam levados ao extremo do absurdo, mas em sua própria razão – baseada na imunidade absoluta – ensejado flagrante desproposito ou insensatez. - Como explicar? - E há como explicar? – Foi isso que a pesquisa de Galinsky, Lammers e Stapel buscou responder.



O estudo de Galinsky e colaboradores, no seu resumo e comentário do “The Economist”, começa por explicar comportamentos e práticas retóricas habituais de alguns políticos profissionais, baseadas na hipocrisia, caso, por exemplo, da infidelidade conjugal do próprio, pari passu com uma retórica pública (“da boca pra fora”...) de promoção dos valores da família, caso da fidelidade no matrimônio. Igualmente considerando, seria a necessária dissimulação da corrupção pessoal (na apropriação do que é público ao patrimônio privado, incluindo dinheiro), versus um discurso veemente e inflamado de austeridade e moralidade na gestão de bens coletivos – dinheiro aí incluído. O comentário do artigo também aponta que o fenômeno passou a ser tão comum na atualidade que já não surpreende mais ninguém.



Ainda que seja norte-americana e européia a substância referida na revista e da mesma origem os autores do artigo, o tema é igualmente pertinente a uma situação contemporânea no Brasil. O Distrito Federal, por exemplo, vive uma grave crise político-institucional em função da questão do uso despropositado do poder. Passou a ser motivo de chacota e piada, em raciocínio óbvio do cidadão comum no Brasil, a premissa de que exista uma correlação necessária entre o exercício do poder e a hipocrisia (falsidade, dissimulação ou fingimento). Com isso, o exercício do poder estaria passando a ser sinônimo de uma prática política que inclui mentir e falsear valores. – Será mesmo?



Mensagens eletrônicas circulam diariamente pela Internet, com charges, piadas e “tiras”, dando conta da “hipocrisia política” no Brasil. As falas de “Odorico Paraguaçu”, cínicas e hipócritas, ao limite do humor pelo absurdo, são transpostas para a rede mundial de computadores em humor cáustico de “flashbacks” da novela “O Bem Amado” de Dias Gomes -- televisada no início da década de 1970. Quase 40 anos depois, portanto, passagens de uma novela/sátira que trata de uma prática já antiga, a seu tempo, estão sendo ressuscitadas, parecendo atualíssimas... Assim, no Brasil de 2010 os temas da hipocrisia e do cinismo são objeto de chacotas, em anedotas aplicadas sobre coisas tão abjetas e absurdas como um mensalão, mensalinho e, mais ultimamente, um demensalão. E essa tendência do humorismo político segue em manifestação recorrente e retumbante entre os brasileiros. Mas não só entre eles...



Se os brasileiros ressuscitaram um anedotário político com base em Dias Gomes, os pesquisadores norte-americanos e europeus também evocaram seus equivalentes locais. O artigo do “The Economist” refere um bordão secular, entre anglo-saxônicos, de que “O poder tende a corromper, mas o poder absoluto corrompe de maneira absoluta” (Lord Acton, 1887). No Brasil, a citação de Lord Acton, historiador inglês nascido na Itália (Nápoles, 1834-1902), merece alguma contextualização.



John Acton, católico, teve um papel crítico de relativa importância quando da promulgação da doutrina da infalibilidade papal em 1870. Ao bordão citado de Acton vale acrescentar algo mais, também da lavra dele: “Grandes homens quase sempre são homens maus, mesmo quando exercem influência e não autoridade: mais ainda quando adicionada a tendência ou certeza da corrupção, em função da autoridade ser total e absoluta. Não existe pior heresia do que supor que o cargo santifique aquele que o exerce”. O ditado sobre corrupção e poder absoluto teria sido precedido, também nas palavras de Acton, pelo seguinte intróito: “E lembrem, onde houver uma concentração de poder em poucas mãos, muito freqüentemente estarão em posições de controle homens com a mentalidade de membros de gangues. A história já provou isso”.



Importantes conclusões gerais são extraídas pelos autores do trabalho considerado. A primeira delas, paradoxal que pareça, é a de que os que não detém poder contribuem para a perpetuação da desigualdade -- são mais rigorosos consigo mesmos do que com os outros. Tal percepção e comportamento respectivo, dos sem poder, robusteceria a lógica dos poderosos, de que, mais do que terem tudo, julgariam “poder quase tudo”, inclusive pela certeza da impunidade enquanto atributo inerente ao poder. O reverso do fenômeno, da parte dos sem poder, seria perpetuarem o “não ter nada”, mormente por acreditarem não terem, legitimamente, o “poder de querer ter coisa alguma”. Os pesquisadores apontam que até mesmo na linguagem referente ao poder e seus detentores, e os outros, estão presentes referências, ainda que sutis, de quem é quem e de quem tem ou não tem poder. - “Manda quem pode, obedece quem tem cabeça”? - Existiriam várias “linguagens simbólicas”, inclusive do cotidiano, reforçando automaticamente os comportamentos em prol da manutenção do status quo em relação ao poder...



Como última conclusão geral do estudo, os pesquisadores tratam de como seria possível reverter a situação de desigualdade ou assimetria de poder, sem ser pela via clássica da revolta. Apontam que um dos caminhos seria revelar publica e jocosamente que o processo da distribuição de poder seria ilegítimo, caso do poder auferido com o auto-enriquecimento ilícito, fruto da corrupção. A via não violenta para isso incluiria a intriga, maledicência ou a vulgarmente chamada “fofoca”, produzindo um conseqüente comprometimento público da reputação do corrupto. Os potenciais corruptos e hipócritas, da sua parte, sentir-se-iam obrigados a expressar comportamentos de acordo com a norma socialmente aceita, sob pena de perderem rapidamente a autoridade, a reputação e, finalmente, o próprio poder. Ou seja, seria possível colocar as coisas de volta ao lugar devido, com as armas da ridicularização -- como com as referências a "pizzas e panetones" -- emblemáticas de corruptos e do uso ilegítimo do poder...

23 de fev. de 2010

O Capitão Cleiton Batista Neiva da Polícia Militar do Distrito Federal é Reconhecido Publicamente para a Nação e Homenageado no Senado Federal











Replicado por George Felipe de Lima Dantas
em 23 de fevereiro de 2010

Fonte da matéria e das imagens: http://www.pmdf.df.gov.br/?pag=noticia&txtCodigo=4650

Homenagem do Senado Federal
23/2/2010 20:14:00

Alexandre Rodrigues
da Assessoria Parlamentar da PMDF

Capitão Cleiton é homenageado no Senado Federal

O comandante-geral da PMDF, Coronel Ricardo da Fonseca Martins, participou nesta tarde de Sessão Solene no Senado Federal em reverência à memória dos civis e militares mortos no terremoto acontecido no Haiti em 12 de janeiro de 2010.

Familiares do capitão Cleiton Batista Neiva prestigiaram o evento, que contou ainda com a presença de membros da Pastoral da Criança e de integrantes do Exército Brasileiro.

A iniciativa da homenagem partiu do Senador Flávio Arns (PSDB-PR), que é sobrinho de Zilda Arns, fundadora da Pastoral Nacional e Internacional da Criança e da Pastoral da Pessoa Idosa.
A sessão visou reverenciar também Luiz Carlos da Costa, representante da Organização das Nações Unidas (ONU) no Haiti.

18 de fev. de 2010

Segurança pública: Crime é combatido com análise de vínculo e algoritmo de voz







Fonte da transcrição: http://www.abin.gov.br/modules/articles/article.php?id=916

Crimes como tráfico de cocaína, lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos aparecem em organogramas montados pelas polícias Federal e Civil de Brasília. Os mapas, feitos por meio de programas de computador, que mais parecem emaranhados de informações, revelam detalhes importantes para a condução de investigações sigilosas. Os aplicativos têm a capacidade de traçar a ligação entre suspeitos e condensar informações levando à determinação dos autores desses crimes. É a chamada "análise de vínculo".

A identificação da voz de um criminoso com base em informações cientificamente válidas e capazes de condená-lo em um julgamento também é utilizada. O "algoritmo de voz" ou código computacional que identifica a voz de alguém para o computador reconhece características vocais únicas e já levou dezenas de pessoas para a cadeia.

O programa usado no DF por órgãos federais como o Senado, Procuradoria-Geral da República, Tribunal de Contas da União, Ministério Público e GDF, foi desenvolvido por uma empresa inglesa em associação com a famosa polícia de Londres, a Scotland Yard. Dona de 94% do mercado mundial de softwares de análise investigativa, a empresa i2 desenvolveu instrumentos para a solução de crimes e fraudes em instituições públicas e privadas, além de forças militares. O programa responsável pelos organogramas que definem quem são e como agem os membros das organizações criminosas é o Analyst's Notebook 6. É um software de análise visual que reúne, cruza e analisa dados por meio de diagramas de teias de relações. Usado em análises investigativas, transforma informações em esquemas gráficos baseados na relação entre criminosos e seus delitos.

Vários casos investigados no DF e no resto do País já contaram com a ajuda da análise de vínculo. A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Senado, que investiga o escândalos dos Correios, usa a análise de vínculo para detalhar suposto esquema de corrupção.

O diretor-geral da empresa Tempo Real, Glauco Guimarães, que representa no Brasil a empresa que desenvolveu o software, disse que na CPI dos Correios já foram analisados mais de 77 milhões de informações. "O programa viabiliza uma capacidade que o ser humano não tem de traçar o vínculo entre dezenas de pessoas e milhares de transações bancárias", explica.

O software tem o aplicativo iBase 4, que permite acumular, analisar e exibir as informações de uma base investigativa. Caiu como luva na CPMI dos Correios, criada em maio de 2005 para investigar denúncias de corrupção. As engrenagens que movimentavam o esquema foram condensadas num banco de dados. E a análise de vínculos traçou relações entre os registros armazenados pelos investigadores.

Programa permite exibir, acumular e analisar informações Bandidos aterrorizados

Armas sofisticadas e o poder de fogo da polícia deixaram de ser a principal preocupação de grandes quadrilhas que faturam milhões com o crime organizado. As novas tecnologias a serviço da polícia já fazem a diferença da hora de identificar e mapear a ação de bandos criminosos. Usando o exemplo da descoberta de um detento que, de dentro da penitenciária, fazia ligações se passando por autoridades e extorquia cidadãos desta maneira, a polícia explicou como funcionam as perícias de identificação de voz feitas pela Polícia Técnico-Científica.

No programa de algoritmo de voz, os peritos fazem as análises partindo de gravações fornecidas pela polícia. Elas podem ser obtidas por interceptações telefônicas. O trabalho é feito com o uso do banco de dados de voz do programa da Polícia Civil e um aplicativo.

O software faz a análise das vogais pronunciadas na gravação e, também, das vogais pronunciadas pelo suspeito presente no banco de dados. O trabalho do perito, somado ao resultado do exame feito por meio do computador pode identificar o autor da gravação.

O estudo da voz e sua codificação digital é apenas mais um tipo de "registro digital normalizado" de expressões fisiológicas ou comportamentais da natureza humana. A voz, tal qual impressões digitais, topografia craniana e fundo do olho, entre outras "marcas" da identificação individual, pode ser codificada em algoritmos, instruções computacionais únicas para representar características, também únicas, associadas à identificação individual dos seres humanos.

Tecnologia policial na Operação Galileu

Um caso famoso no Distrito Federal também contou com a ajuda da análise de vínculo. A Operação Galileu foi uma das maiores ações policiais já realizadas pela Polícia Civil na capital da República. No dia 22 de maio de 2005, a polícia cumpriu mais de cem mandados de prisão expedidos pelo Tribunal de Justiça do DF.

Entre as prisões, 48 ocorreram no DF e nove em Mato Grosso, a maioria em locais onde se realizava o concurso público para agente penitenciário federal, elaborado pelo Centro de Seleção e de Promoção de Eventos (Cespe) da Universidade de Brasília (UnB). A investigação da Divisão de Combate ao Crime Organizado (Deco) começou em 2004 durante o processo seletivo da própria Polícia Civil. Era para ser um trabalho de prevenção, mas os agentes descobriram uma rede de profissionais (veja infografia ao lado) especializada em fraudes de concursos organizados por diversas entidades, principalmente o Cespe.

Segundo o diretor do Departamento de Atividades Especiais (Depate), delegado Celso Ferro, o poder tecnológico da polícia, que já contava com o software que determina a ligação entre suspeitos de uma determinada organização criminosa foi essencial para o sucesso da operação. "O programa ajudou a definir a participação de cada suspeito no esquema e até a quantidade de vezes que eles se comunicavam pelo telefone."

Para se ter idéia da funcionalidade do programa, um agente levaria dias para analisar calhamaços que fazem parte das listas de contatos telefônicos conseguidos com a quebra de sigilo telefônico dos suspeitos. "O software faz todo esse trabalho em poucos segundos."

Na Operação Galileu, os policiais coletaram provas de que, pelo menos, 12 concursos, em vários estados, foram fraudados pela quadrilha. Entre os acusados de participar do bando estavam 17 funcionários do TJDF, oficiais de alta patente da Polícia Militar do DF e de Goiás, e agentes da Polícia Civil brasiliense, além de outros órgãos do Poder Executivo. A análise de vínculo foi usada para traçar a conexão entre cada um deles.

No topo da cadeia do organograma montado no computador, apareceu Hélio Garcia Ortiz, então funcionário do Tribunal de Justiça do DF, como o líder da quadrilha. Em depoimento à época, ele disse que o esquema existia em, pelo menos, quatro estados: Goiás, Paraná, São Paulo e Mato Grosso. E confirmou a participação de funcionários do Cespe na fraude. O técnico judiciário Aléssio Alberto Gomes também apareceu na análise de vínculo como braço direito de Ortiz. Ele teria acesso a informações do Cespe. Dezesseis servidores acusados de fraudar o exame do Tribunal de Justiça do DF em 2003 foram afastados dos cargos.

FONTE: Jornal de Brasília
Publicado em: 03/09/2007

A "Caixa de Ferramentas" do Analista Criminal


Fonte do documento em inglês: it.ojp.gov/documents/analyst_toolbox.pdf

A "Caixa de ferramentas" do analista criminal apresenta os resultados de extensas pesquisas da Associação Internacional de Analistas de Inteligência Policial (International Association of Law Enforvement Intelligence Analysts – IALEIA) sobre o tema em "fontes abertas" baseadas na web e respectivos equipamentos hoje em uso por polícias norte-americanas locais, estaduais, federais e tribais.


IALEIA

A Associação Internacional de Analistas de Inteligência Policial (International Association of Law Enforvement Intelligence Analysts – IALEIA) é a maior organização profissional mundial de analistas de inteligência policial. A IALEIA não tem fins lucrativos, estando baseada nos Estados Unidos da América (EUA). Fundada em 1980, é dirigida por um Conselho Diretor Internacional de nove membros eleitos pelos afiliados da organização. Possui também um Conselho Assessor apontado pelo presidente do Conselho Diretor. A organização possui “capítulos regionais” em vários países do mundo, incluindo o Brasil.

IALEIA-Brasil

O “Capítulo Brasil” da IALEIA está sendo presidido até 2013 pelo Procurador de Justiça Denilson Feitoza Pacheco, depois de ter sido fundada em “Assembleia-Geral” no dia 22 de outubro de 2010 em Belo Horizonte. Naquela ocasião, a IALEIA-Brasil foi constituída formalmente como associação, nos termos das leis brasileiras. Além do procurador de Justiça Denilson Feitoza tomaram posse Francisco Vicente Badenes Júnior (Delegado da Polícia Federal), como 1º vice-presidente; George Felipe de Lima Dantas (Doutor em Educação e Tenente Coronel reformado da Polícia Militar do Distrito Federal), como 2º vice-presidente; Flávia Galindo Silvestre (Doutora em Farmacologia e Perita Criminal), como tesoureira; e Luiz Augusto Soares de Andrade (Promotor de Justiça e Especialista em Inteligência), como secretário.

Objetivos da IALEIA e da IALEIA-Brasil

De acordo com o atual Presidente da IALEIA-Brasil, "a Ialeia Brasil promoverá não somente a qualidade, a eficiência e a ética da análise de inteligência, mas também da administração da inteligência, contrainteligência, operações de inteligência e profissões auxiliares."

Os objetivos específicos da Ialeia são os seguintes:

- melhorar o entendimento público e oficial do papel da análise de inteligência; estimular um reconhecimento mais amplo da prática da análise de inteligência como um campo profissional;

- desenvolver normas de qualificação e índices de competência para o exercício da profissão;

- reforçar os conceitos de profissionalismo, dedicação ao serviço e integridade entre os profissionais de análise de inteligência;

- elaborar e apoiar padrões profissionais de desenvolvimento de carreira para os analistas, incluindo educação pré-emprego, normas de recrutamento e seleção e programas de desenvolvimento profissional contínuo;

- facilitar a melhoria da qualidade de desempenho na análise de inteligência, fornecendo serviços de consultoria e afins;

- promover o estado da arte (nível mais alto de desenvolvimento) em análise de inteligência, fornecendo mecanismos para a disseminação de informações sobre técnicas e métodos analíticos; e

- conduzir pesquisas relacionadas à análise de inteligência e ao processo analítico, garantindo financiamento para tais pesquisas.

Realizações Correntes da IALEIA

Uma das realizações da IALEIA é a “Caixa de Ferramentas do Analista: Uma Caixa de Ferramentas para o Analista de Inteligência” (Analyst Toolbox: A Toolbox for the Intelligence Analyst).
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A publicação “Caixa de Ferramentas” foi desenvolvida pela IALEIA, de conformidade com a Recomendação 12 do Plano Nacional de Compartilhamento de Inteligência Criminal [National Criminal Intelligence Sharing Plan (NCISP)] do Conselho de Coordenação de Inteligência Criminal (Criminal Intelligence Coordinating Council). Tal plano é endossado pelo órgão norte-americano equivalente ao Ministério da Justiça do Brasil ([U.S. Department of Justice (DOJ)] e pelo Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos [U.S. Department of Homeland Security (DHS)], bem como por várias organizações policiais norte-americanas, tudo isso visando aperfeiçoar a qualidade da inteligência criminal dos EUA.

Recomendação 12:

A Associação Internacional de Analistas de Inteligência policial deverá desenvolver, em nome do Conselho de Coordenação de Inteligência Criminal, padrões mínimos para a análise de inteligência, de modo a assegurar que os produtos de inteligência sejam precisos, oportunos, factuais e relevantes, recomendando a implementação de políticas e/ou ações. As organizações policiais deverão adotar esses padrões, tão logo sejam desenvolvidos e aprovados pelo Conselho de Coordenação de Inteligência Criminal.

A "Caixa de Ferramentas" inclui a finalidade de equipamentos para "Análise de Vínculos", referindo que eles estão voltados "para associar informações de fontes de dados estruturados e mostrar graficamente os vínculos entre as entidades correspondentes. Também é útil para documentar fontes de dados e contribuir para a descoberta e identificação de vínculos entre bases de dados extensas e complexas. Esse tipo de software pode também incluir a capacidade de geração de linhas temporais e fluxogramas".



Quanto ao conceito da utilização de equipamentos para "Análise de Vínculos", o mesmo documento aponta que "O software de análise de vínculos pode mostrar visualmente vínculos ou relações, incluindo análises de associações e relações hierárquicas (i.e. hierarquias do crime organizado)".

Recomendação:

Examinar a outra postagem (mais recente) do Blog e que está associada ao mesmo tema:
Postagem associada:

Examinando o Conteúdo da "Caixa de Ferramentas" do Analista Criminal

Referência técnica para seleção e aquisição de coletes à prova de bala




Fonte: http://www.justnet.org/Lists/JUSTNET%20Resources/Attachments/370/selectapp2001.txt

Title: Selection and Application Guide to Personal Body Armor Series: NIJ Guide Author: National Law Enforcement and Corrections Technology Center Published: National Institute of Justice, November 2001 Subject: Law enforcement: police equipment, law enforcement general 121 pages.

Título: Séries de Guias para Seleção e Aplicação para Blindagem Corpórea: Autor do Guia NIJ: Centro National de Tecnologia Policial e Correcional: Instituto Nacional de Justiça, Novembro de 2001 Tema: Atividade policial: equipamento policial, atividade policial em geral 121 páginas.

ESTÁ DISPONÍVEL ONLINE em http://www.justnet.org/Lists/JUSTNET%20Resources/Attachments/370/selectapp2001.txt

Preocupações com o PAN/2007 que serão retomadas em 2014 e 2016


Artigo publicado no jornal norte-americano "Washington Times" na edição de 19 de setembro de 2005.

Brasil: o próximo alvo?
por George Felipe de Lima Dantas e Yonah Alexander

Quando a humanidade contabiliza mais um aniversário do 11 de setembro de 2001, data representativa da mais letal das operações terroristas da história, é possível recordar, também, de vários outros atentados perpetrados desde então, em nome de diferentes ideologias, agendas políticas ou "altos princípios" religiosos. Tal recordação inclui a vitimização de civis inocentes em Bali, Jacarta, Casablanca, Madri, Londres e Sharm-el-Sheikh.Após o 11 de setembro, uma questão permanece e não quer calar: devemos esperar um atentado similar, em escopo e sofisticação, ocorrendo em algum outro lugar? – A resposta, curta e simples, é que sim. Isso certamente irá ocorrer e é apenas uma questão de tempo. A tarefa que se afigura, então, é buscar projetar onde poderá ocorrer, bem como o modus operandi correspondente.

Um rasgo desse futuro sombrio pode ser antevisto a partir das declarações de um porta-voz da organização al Qaeda, quando ele vaticina: "amanhã, Los Angeles e Melbourne". E que dizer do "depois de amanhã"? Consideremos, por exemplo, o certame internacional representado pelos Jogos Pan-americanos de 2007, no Rio de Janeiro. Será ele um alvo potencial "desse amanhã sombrio"?

O Brasil é a maior e mais populosa democracia da América Latina e tem sido poupado, ao menos até agora, da ocorrência de atentados terroristas. Ainda assim, brasileiros já foram mortos em ataques terroristas, tanto no caso das Torres Gêmeas de Nova Iorque quanto no do atentado contra a sede da Organização das Nações Unidas (ONU) em Bagdá.Os brasileiros mortos, em ambos os casos, simplesmente estavam no lugar errado na hora errada.

A última dessas tragédias ocorreu em Londres, quando um cidadão brasileiro foi supostamente confundido com terroristas, sendo morto pela polícia britânica logo em seguida ao atentado contra o sistema de transportes públicos da capital inglesa.

Uma atitude brasileira bastante prevalente é negar sistematicamente a simples possibilidade de colocar a questão do terrorismo na agenda da política de segurança nacional ou de segurança pública, quiçá pelo medo de que isso possa "atrair um acontecimento do gênero". Tal premissa não tem fundamento, já que, após o 11 de setembro, nenhum país ou local pode ser considerado imune ao terrorismo.

O Brasil, nesse momento histórico, se encontra em franco processo de enfrentamento da corrupção, em particular, por um lado, enquanto pelo outro trata de controlar a criminalidade de massa. Ainda que ele seja uma das maiores economias globais, sustenta altos índices de criminalidade, diferentemente de paises menores e mais desenvolvidos em termos políticos e sociais. Sua população, de certa forma, ficou acostumada a conviver com altos índices de criminalidade e violência.

Na zona sul do Rio de Janeiro, por exemplo, a beleza das praias locais pode esconder uma realidade bastante distinta... Algumas ruas dos bairros socioeconomicamente diferenciados da zona sul são compartilhadas por gente de classe média e moradores de comunidades carentes dos morros ao redor, constituindo hoje verdadeiras "zonas conflagradas" sob a ameaça permanente de narcotraficantes.Em tal contexto, na troca de tiros entre membros de gangues rivais e entre elas e a polícia, várias pessoas já foram mortas ao acaso, enquanto estavam dentro das suas próprias residências, em conseqüência de disparos do que se convencionou chamar "balas perdidas".

Enquanto isso, os presidiários cariocas continuam delinqüindo, até mesmo de dentro dos próprios estabelecimentos penais locais. Utilizam, para tanto, ao arrepio da lei, telefones celulares levados irregularmente para o interior das unidades prisionais. É assim que eles e membros de gangues, de fora das prisões, costumeiramente logram chantagear comerciantes e dirigentes de estabelecimentos escolares da cidade a fechar suas portas, sempre que delinqüentes locais são confrontados de alguma forma pelas autoridades policiais.

É digna de nota a expansão da relação entre o crime organizado e grupos terroristas, no tocante a atividades ilegais como narcotráfico, contrabando e lavagem de dinheiro. O estudo "Controle de Armas de Fogo e Produtos Correlatos", apresentado em 2005 a uma Comissão Parlamentar de Inquérito do Legislativo Federal, oferece um rasgo de visão acerca da crescente ameaça terrorista existente no país.Segundo tal documento, enquanto existiriam cerca de dois milhões de armas de fogo regulares no Brasil, outros vinte milhões delas estariam na ilegalidade. Talvez esta seja uma das razões pelas quais os criminosos cariocas ousem enfrentar abertamente os agentes da lei e da ordem...

A possibilidade de uma expansão, para o Brasil, do potencial de terrorismo existente na região da chamada Tríplice Fronteira (Argentina, Brasil e Paraguai), intensifica ainda mais a preocupação com uma eventual ligação entre o terror e o crime organizado naquele local.A região é conhecida por vários delitos, incluindo narcotráfico, contrabando, fraude, lavagem de dinheiro e produção, transporte e comercialização de mercadorias pirateadas.

Relatórios de Inteligência de diferentes fontes vinculam a Tríplice Fronteira com grupos como o Hamas, Hizballah e al Qaeda, os quais, sabidamente, já estariam operando em vários dos diversos países da América Latina e outras regiões globais.O potencial para o estabelecimento de um vínculo colaborativo entre criminosos brasileiros e terroristas estrangeiros é hoje uma probabilidade tangível, muito mais do que uma simples possibilidade.Consequentemente, os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, em 2007, podem representar uma oportunidade única para um atentado terrorista de autoria conjunta entre aquelas duas espécies de grupos de criminosos.

Para minimizar tal probabilidade, o Brasil precisa planejar e implementar uma estratégia defensiva integrada minuciosa, com o concurso das diversas instituições de segurança pública do país.Em primeiro lugar, é mister aprender com a história dos jogos olímpicos realizados nos últimos 30 anos, o de Munique (1972) inclusive. As estratégias de segurança devem incluir, necessariamente, um currículo padrão para as academias de polícia, de tal sorte que possa ser criado um programa também padrão de "treinamento de treinadores". Os conteúdos devem abranger, dentre outros temas, Inteligência de Segurança Pública e Análise Criminal e Minagem de Dados, sem olvidar exercícios de simulação de resposta a atentados. Isso tudo implica, necessariamente, na disponibilização de recursos financeiros, pessoal, tecnologia e equipamentos, em um "pool" integrado internacional, regional, nacional, estadual e local.Em suma, os desafios globais comuns da era que se segue ao 11 de setembro precisam ser enfrentados com vigilância contínua, bem como solidariedade e cooperação internacionais.

Necessário lembrar o que Syrus Publius, mais de dois mil anos atrás, já apontava: "está mais resguardado do perigo aquele que permanece vigilante, mesmo quando já se sente seguro". Com tudo isso, como não poderia deixar de ser em uma democracia, o Brasil precisa equilibrar suas justas preocupações com relação a questões de segurança com os direitos e garantias individuais.

17 de fev. de 2010

Alta Tecnologia no Combate ao Crime Organizado

Fonte: Revista do Sindepol
http://www.sindepolbrasil.com.br/Sindepol10/tecnologia.htm

Transcrição de artigo da Revista do Sindepol

por George Felipe de Lima Dantas
em 17 de fevereiro de 2010

No início era a intuição. Depois veio a coleta de dados. Agora, para que o sucesso possa de fato acontecer, há que se ter agilidade suficiente para tratar esses dados coletados, na medida certa das necessidades operacionais e jurídicas envolvidas.

A cada dia, mais e mais, os profissionais envolvidos em segurança pública necessitam ter formas ágeis de tratar os grandes volumes de informação em que se baseiam para decidir se algo está errado, se uma pessoa ou grupo é responsável por determinado ato e, se uma operação policial deve ser executada de imediato ou não.

Nesse sentido é que vemos com grande alegria a difusão de ferramentas de suporte a essa atividade. Equipamentos de posicionamento por satélite, comunicação de voz e dados, sistemas de auxílio à identificação pessoal (biometria) e para a análise criminal. Aqui vamos nos ater a dois pontos específicos: análise criminal – mais propriamente a Análise de Vínculos e a Biometria de Voz.

Hoje, não se concebe que um analista de segurança pública, seja ele ligado ao setor de inteligência ou à atividade policial, execute suas tarefas sem o auxílio de sistemas de apoio como o Analyst´s Notebook e iBase. Ferramentas grandemente difundidas no setor, contam com a experiência para o seu desenvolvimento de equipes multidisciplinares que envolvem analistas de sistemas, analistas de bancos de dados e policiais com renomado conhecimento, por longos anos dedicados a esse fim. Aqui, para destacar o rumo que elas vêm tomando, vamos destacar um produto que vem trazendo grandes benefícios às instituições de segurança pública que lidam com volumes de dados, dispersos em bases de dados locais e remotas.

Um significativo avanço pode ser notado em investigações realizadas ao redor do mundo, em especial no Brasil.

Desde as melhorias nas técnicas investigativas até a aplicação de softwares de análise visual, os investigadores têm resolvido casos muitas vezes incompreensíveis, devido à complexidade e às muitas variáveis envolvidas nos atos ilícitos.

O uso da alta tecnologia tem sido um poderoso aliado no Combate ao Crime Organizado, em especial um software chamado i2 Analyst’s Notebook, criado no início da década de 90, considerado indispensável por mais de 4.000 (quatro mil) organizações públicas e privadas, na aplicação da Lei.

Entretanto, com o aumento significativo do volume de dados a serem analisados e, com o crescente número de bases de dados existentes nas organizações, muitas vezes em localidades distintas, ficaram evidentes algumas situações indesejáveis:

• Dificuldade em acessar informações armazenadas em diferentes tecnologias de bases de dados;
• Inexistência de software que permitisse analisar visualmente conteúdos oriundos de várias fontes de informações;
• Demora na identificação de possíveis dados duplicados nas diversas bases de dados, tais como: pessoas, telefones ou veículos; e,
• Necessidade de realizar consultas separadamente em diversos sistemas de informação, com diferentes formatos, gerando por exemplo, demora e dificuldade de obter a informação desejada.

O i2 iXa foi desenvolvido norteado por sugestões de investigadores de diversas partes do mundo, justamente para atender a estas necessidades identificadas como fator crítico para o sucesso nas resoluções de casos complexos.

Agora, já é possível acessar e analisar informações localizadas em qualquer lugar do mundo, independente da tecnologia de base de dados utilizada, obviamente após autorização dos gestores destas informações.

Ao investigador cabe informar o que deseja localizar (o sobrenome de uma pessoa, parte de um número de telefone ou o número de uma conta bancária). Daí então, o i2 iXa acessa as bases de dados disponíveis e exibe todos os vínculos existentes no software i2 Analyst’s Notebook, como no exemplo de uma pessoa investigada, conforme ilustração a seguir:

Estas são algumas das funcionalidades disponíveis no i2 iXa.

Agora, as instituições brasileiras têm um novo grande aliado na aplicação da Lei, que possibilita o acesso e cruzamento de informações de facções criminosas e seus integrantes ou qualquer outro tipo de informação relevante para as investigações. Em suma, uma ferramenta capaz de mapear e combater o Crime Organizado, viabilizando ações pró-ativas.

O software i2 iXa é comercializado pela empresa Tempo Real (www.trgroup.com.br), representante exclusiva dos softwares i2 no Brasil.

Outra área que vem ganhando dimensão no ambiente de segurança pública é a de Biometria de Voz. Seu objetivo é ser mais uma forma de identificar, inequivocamente, uma pessoa da mesma forma do teste de DNA e das impressões digitais. No Brasil, para uso nas instituições de segurança pública, já dispõe-se de ferramentas, com origem na Espanha, que contaram com o desenvolvimento conjunto da Escola Politécnica de Madri e da Guarda Nacional da Espanha. Seu nome: BATVOX.

Para ilustrar a importância deste tipo de ferramenta, podemos citar o caso recente do traficante colombiano – Juan Carlos Ramirez Abadia - preso em São Paulo, em agosto deste ano, que somente pode ser identificado por sua voz, posto que havia se submetido a um grande número de cirurgias plásticas, as quais mudaram em muito suas características faciais.

A Verificação Automática do Locutor (ASV – Automatic Speaker Verification) é o uso de sistemas computacionais para certificar que uma voz corresponde a uma determinada identidade suspeita. Os produtos de biometria de voz atendem às necessidades de determinar uma identificação (positiva ou não), no menor espaço de tempo. A biometria de voz se baseia na verificação da identidade de um locutor, através das características físicas do trato vocal ao invés da forma como ela fala um texto. Ela determina o modelo correspondente à emissão de sons, por parte de uma pessoa, com base nas características corpóreas que possua. Isso identifica uma única pessoa, até que um dos elementos envolvidos sofra alteração.

O BATVOX é um software que modela o conjunto de sons produzidos por um ser humano, atribuindo-lhe uma identificação única, baseada nas suas características corporais, para permitir posterior identificação face a um modelo apresentado. Destinado ao segmento de peritos criminais, deve ser combinado com técnicas clássicas, para ser o mais completo possível. Logo, não se pretende que o perito seja substituído pela máquina, mas sim que seja por ela auxiliado. O BATVOX permite uma análise objetiva, pois independe dos conhecimentos intrínsecos do perito; não obriga o perito a conhecer o idioma que está sendo utilizado pelo locutor; permite trabalhar (com rapidez) sobre várias amostras de áudio e, permite o cálculo de LR (Likelihood Ratio) com uma grande quantidade de dados, respeitando a mesma metodologia de cálculo utilizada para os sistemas AFIS e DNA.

O núcleo do BATVOX deu origem a outras duas ferramentas: O ASIS e o BS3. Essas ferramentas, diferentemente do BATVOX, destinam-se à área operacional.

O ASIS – Automatic Speaker Identification System - é um Sistema de Identificação de Locutores, orientado à identificação de uma voz dentro de um Banco de Vozes já existente. Nele, uma voz desconhecida é comparada com uma base de modelos de vozes, de pessoas já cadastradas ou relacionadas com delitos anteriores. As vozes que serão adicionadas à base são modeladas com o BATVOX e podem ser oriundas de várias fontes, como: DVD, fitas VHS, telefonia fixa, telefonia celular ou gravação normal. Já está em uso, em alguns países europeus, a captação da voz quando da ocorrência de um delito e seu registro na delegacia policial, da mesma forma que se faz com a foto ou recolhimento de digitais. A verificação de um modelo sobre uma base de vozes existente, permite atribuir como sendo verdadeira (ou não) a imputação de um ato a uma pessoa – como se tem no caso de seqüestro relâmpago.

O BS3 – Biometric Speaker Spotting System – é um Sistema de Detecção de Locutores, que busca identificar uma ligação – dentro de um fluxo de interceptação, cuja voz de um dos interlocutores corresponda ao modelo de voz ali colocado. Nele, fluxos de áudio, de pessoas desconhecidas (as ligações interceptadas), são comparados com um modelo de voz conhecido (o nosso alvo), para detectar e destacar somente a chamada da pessoa que nos interessa. Isso, por si só, preserva os direitos individuais de todos os outros que fazem utilização daquela(s) linha(s) telefônica(s). Claro que existem outras funcionalidades embutidas como, por exemplo, a definição de scripts para cada modelo inserido (pois pode trabalhar com vários modelos ao mesmo tempo).

A evolução tecnológica vem determinando o sucesso de muitas áreas como a educação, medicina e engenharia. Logo é de se esperar que tais benefícios sejam estendidos ao segmento de segurança pública. É isso que vemos com as ferramentas de análise de vínculos da i2 e de biometria de voz da Agnitio. Não basta ter o profissional melhor qualificado se as ferramentas que ele utiliza produzem resultados abaixo do esperado pela organização e pela sociedade.

A Tempo Real – Tecnologias de Informação, que vive em busca constante da excelência, no emprego e difusão de melhores práticas para sistemas de apoio à investigação, mantém contratos de representação (com exclusividade) junto a essas empresas para o mercado brasileiro. Costumeiramente, qualifica seus técnicos junto aos produtores desses softwares, para melhor atender às necessidades das diversas instituições clientes. Empresa 100% de capital brasileiro, situada no Rio de Janeiro, atende instituições em todo o território nacional, seja pela manutenção de equipes locais nos maiores centros utilizadores, ou através de deslocamento dos profissionais nas demais regiões.

Marcelo Bandeira e Renato Lira

Inteligência de Segurança Pública e Privada: Entendendo a Análise de Vínculos da Análise Criminal Moderna




Fonte da imagem: http://1.bp.blogspot.com/_cTKJMbfPeJU/Sw2MPxu-WMI/AAAAAAAAAHM/VNuw6pkKP6w/s1600/sinapse.jpg
http://www.fmsasg.com/SocialNetworkAnalysis/SocialNetworkAnalysis_Graph.gif


por George Felipe de Lima Dantas
em 17 de fevereiro de 2010


Analisar implica conhecer algo, começando por conhecer todas e cada uma das suas partes constitutivas. Na Análise Criminal (AC) moderna, que vem a ser um instrumento para estudo do fenômeno do crime e outros comportamentos desviantes derivados, é necessário lidar com grandes conjuntos de dados oriundos de fontes diversas. Aí estão incluídas as fontes humanas (falas e depoimentos, por exemplo), fontes de conteúdo (documentos, muitos deles de “fontes abertas” como a mídia), bem como fontes tecnológicas (a exemplo, os códigos binários e cifras criptografadas de transações digitais diversas).

Não menos importante do que as análises intra-específicas de cada uma das informações e dados oriundos de fontes disparatadas (humanas, de conteúdo e tecnológicas) dos componentes do fenômeno considerado, também é necessário dar sentido e produzir conhecimento válido, confiável, oportuno e relevante, resultante da integração analítica interespecífica de objetos de todas e cada uma das fontes. É necessário possibilitar vincular e integrar, no conhecimento final resultante, dados e as informações de todas essas fontes, com elas sendo intrinsecamente díspares.

Novas tecnologias, principalmente a Análise de Vínculos (AV), proporcionam um apoio inestimável para a atividade de produção de conhecimento da AC, mormente nas suas vertentes investigativa (voltada essencialmente para a criminalidade em geral) e de inteligência (voltada para objetos delitivos mais específicos, caso da corrupção, narcotráfico e terrorismo). Existe também uma demanda permanente de análise em prol do controle de fenômenos de ocorrência no Setor Privado, caso, por exemplo, das fraudes, que podem inviabilizar negócios e respectivos empreendimentos comerciais.

Com a AV, o apoio para a atividade de produção de conhecimento se traduz na capacidade efetiva de robustecer essa atividade, ao torná-la capaz de lidar rapidamente com enormes quantidades de dados e informações dos quais resulta um conhecimento de alta qualidade em termos de validade e confiabilidade para a prevenção e repressão criminal e de outras práticas desviantes.

Com os atuais aplicativos computacionais existentes da moderna Tecnologia da Informação (TI) é possível uma nova AC com uma igualmente moderna AV. A AV permite “mapear visualmente”, de maneira rápida, detalhada e objetiva, compreensível ao simples olhar (apelando para a chamada “inteligência visual”), uma vasta gama de entidades constitutivas do universo delitivo e que abrange enormes conteúdos de dados e informações. Isso possibilita um igualmente rápido entendimento de vínculos ou conexões entre essas entidades (pessoas, transações, contatos, etc.), verificar e determinar os padrões ou clichês repetitivos com que acontecem, bem como indicar tendências de ocorrências futuras e que, por isso mesmo, podem ser antecipadas pelos agentes da segurança pública e privada e até mesmo “flagradas” ou frustradas. Ou seja, a mesma complexidade da atividade criminal moderna é pareada com um instrumento de igual ou maior robustez para o seu controle.

Um componente essencial da AV mediada pela TI, mais além da sua capacidade de “dar sentido cognitivo final” a grandes e complexos conjuntos de dados e informações, é a sua função organizativa na “aquisição” destes mesmos dados e informações. Na atividade de “arrumar a casa”, antes de saber utilizá-la, a AV é um instrumento bastante robusto para uma rápida aquisição e modelagem de dados para posterior análise. E tome-se a expressão posterior como sempre postergável em sua dinâmica, já que o processo analítico será sempre cíclico, no mesmo passo do fenômeno delitivo ele próprio.

Tudo isso posto, é sempre interessante revisitar a questão da cognição humana diante dos “produtos finais” da AV. O aforismo de que “uma imagem vale por mil palavras” talvez seja o que melhor materialize a AV mediada pelos modernos instrumentos da TI. Os grafismos de alta capacidade comunicativa produzidos por esses aplicativos permitem uma comunicação extremamente simples e intuitiva de informações, o que por sua vez possibilita um processo decisório rápido e preciso da parte dos decisores, sejam eles de Estado (autoridades judiciárias, agentes da segurança pública ou de agências regulatórias, por exemplo) ou do Segundo Setor (executivos da indústria securitária ou financeira, por exemplo).

16 de fev. de 2010

A atividade de inteligência como “poder paralelo” – um falso oximoro


por George Felipe de Lima Dantas
em 16 de fevereiro de 2010
A afirmação de que a atividade de inteligência possa ser um “poder paralelo” em uma instituição ou organização (no caso público ou privado respectivamente) é buscar afirmar, em uma “figura” de retórica ou artifício de oratória, uma falsa antítese. Ou seja, é afirmar algo que não acontece, mas com algum estilo persuasivo. Na verdade, a atividade de inteligência é um sinônimo ou expressão do poder da instituição ou organização – o poder de saber o que é necessário saber. O poder pressupõe necessariamente o saber e nem sempre o contrário. Afirmar uma relação algo diferente disso é produzir um falso oximoro.


Um oximoro é uma figura de linguagem que busca combinar, ao gosto do orador, coisas que são intrinsecamente idênticas, mas que ele quer que pareçam sugestivamente contraditórias. No verdadeiro oximoro é buscada harmonia entre coisas iguais, paradoxalmente ligadas, produzindo uma terceira entidade a ser interpretada “ao gosto do orador e do ouvinte/leitor”. Afirmar a existência de um “poder paralelo” fruto da "atividade de inteligência, é como sugerir ou supor contraditoriamente, um “equilíbrio dinâmico”, um “pesadelo memorável”, uma “feliz depressão” ou coisa que o valha.


Mas não é pela lógica apontada (ou pela falta dela...) que os oximoros deixam de existir... Existem referências bem comuns a falsos oximoros, caso de “realidade virtual”, “mortos vivos” e “doce amargura” (nome de música). Mesmo assim essas expressões se celebrizaram.


O poder cada vez mais efetivo das instituições policiais investigativas brasileiras na atividade-fim, fruto da produção da atividade de inteligência, não é algo que possa ser tido como rasputiniano (paralelo...), tal qual na corte dos Romanov da Rússia, em que um único homem – Grigoriy Rasputin – ficou celebrizado por sua persuasão e influencia pessoais mistificadoras (isso sim, um “poder paralelo” e realmente inexistente em termos efetivos). O poder das organizações policiais brasileiras está realmente assentado na produção de conhecimento tendo por base as ciências de suporte da investigação criminal moderna, antônimo da mistificação, mas sim reafirmação de um ganho conseqüente e considerável na “descoberta da verdade real” no que tange a materialidade e autoria de crimes.


Indivíduos de comportamento desviante, em declarações falsas universalmente usuais, negam seus desvios, direito que é dado a eles no próprio ordenamento jurídico pátrio e, muito freqüentemente, também no ordenamento jurídico de outros países. Outros, que por qualquer razão os apóiam, sustentam tal negação de desvios e, mais que isso, buscam transferir, em artifício argumentativo, contra as autoridades apuratórias e judiciárias, os desvios que por elas foram e continuarão sendo descobertos.


Tudo isso é normal em sociedades democráticas modernas em que a efetividade do sistema de justiça criminal e o direito à livre expressão caminham juntos em intensidade. O que é necessário, no entanto, é que todos os lados possam ter voz no “Estado Democrático de Direito”. E as vozes do Poder Judiciário e da Polícia Judiciária estão sendo ouvidas em tom cada vez mais forte, exatamente por sua fidedignidade, profissionalismo, enfim, por sua efetividade.


Realmente, ter poder é ter conhecimento na era deste último. De fato, historicamente, a ciência aponta a direção do conhecimento. Efetivamente, as técnicas e tecnologias investigativas deram um salto na “Era da Conhecimento”. Para o leigo supersticioso, no entanto, pode até parecer verdadeiro o argumento de que exista um “poder paralelo”, obscuro e diabólico, na medida em que o Poder Judiciário e a Polícia Judiciária detenham um efetivo conhecimento para sustentação efetiva das suas atividades – pela ciência -- diferentemente do que vigia entre os crédulos inocentes ao tempo inquisição medieval.


O que existe de fato é uma análise criminal moderna envolvendo automação, capacidade de processamento de enormes volumes de dados, estabelecimento preciso de vínculos entre milhares ou milhões de entidades relacionáveis (em fontes humanas, de conteúdo e tecnológicas), identificação humana biométrica e tantas outras técnicas e tecnologias desse “novo mundo da investigação de desvios de um mesmo velho mundo do crime” (um verdadeiro oximoro, aplicável...) em que o crime pode compensar ainda menos que no passado...

14 de fev. de 2010

Esteganografia Digital




por George Felipe de Lima Dantas


em 14 de fevereiro de 2010, retomando de 27 de agosto de 2002




“Tentativa de Amor em Sonho”, de Aldus Manutius (1499), é um verdadeiro tratado de ciência e arte, contendo um antigo e famoso esteganograma: “Monge Francisco Colonna Ama Polia Apaixonadamente”. A frase resulta da justaposição da primeira letra do texto de cada um dos 38 capítulos da obra. O monge Colonna, que não deveria nutrir sentimentos de amor por uma mulher, ainda estava vivo quando o livro foi publicado...




Estegano, do grego “steganós”, significa “oculto” ou “misterioso”. Esteganografia é a escrita em cifra (código), com caracteres convencionais (letras e/ou números) ou especiais (símbolos), de textos ocultos tais quais o de Manutius sobre Colonna. Hoje ela passou a incluir a ocultação de mensagens em arquivos eletrônicos de som, imagem ou texto. Arquivos digitais, de maneira geral, possuem áreas não utilizadas, ocupáveis por informação adicional. A mensagem esteganografada só pode ser lida por quem saiba onde ela está e conheça o código para decifrá-la. Um texto esteganografado pode ser oculto, por exemplo, em um grafismo digital.



Uma importante aplicação moderna da esteganografia digital é como “marca d’água” ou mensagem oculta de direitos autorais, usada juntamente com uma “impressão digital” do produto, número de série ou conjunto de caracteres que autentica uma cópia legítima de um produto do gênero. A falta da “impressão digital” aponta violação de direito autoral e a ausência da “marca d’água” comprova o fato.



No dinâmico mundo digital, já existem programas (“softwares”) comerciais para que leigos possam esteganografar textos. Primeiro, o usuário disponibiliza uma imagem com um texto codificado em um “site”. Em seguida avisa os destinatários para que visitem o “site”. Através do mesmo aplicativo utilizado pelo autor, os destinatários decodificam o texto escondido na figura. O software não deixa marcas das operações realizadas, desabilitando temporariamente o histórico do navegador e apagando os dados do cache quando o programa é fechado.



A esteganografia digital desperta tamanho interesse que já é objeto de “workshops” internacionais sobre “ocultação de informação”. A comunidade interessada (empresas, governos e universidades) realizou seu quinto encontro anual em Noordwijkerhout, Holanda (de 7 a 9 de outubro de 2002). Nesse meio, é de interesse a ocultação da informação ou, ao reverso, como neutralizar essa possibilidade. Muito do desenvolvimento da esteganografia digital aconteceu em função da necessidade de proteção da propriedade intelectual. Outras áreas de aplicação são a comunicação anônima, comércio eletrônico, sigilo dos sistemas de computação, detecção de informação oculta, urnas eleitorais digitais, privacidade & ocultação de informação e cifragem & decifragem.



Como nota final, após essas considerações sobre a modernidade da ocultação de textos, é interessante apontar que uma das discussões mais acaloradas entre historiadores da esteganografia é acerca dos trabalhos de William Shakespeare (Século XVII) que, segundo alguns deles defendem, teriam sido realmente escritos por Francis Bacon, levando em conta esteganogramas deixados pelo próprio Shakespeare... -Será?!


A simples referência ao segredo parece dar largas ao poder de imaginação de alguns, sugerindo a magia, o mistério e o inacreditável. Assim Dito, E Urdindo, Simploriamente, Quase Um Esteganograma, Eu Utilizo Velho Ordenamento, Usando Esse Método Baseado Onde Rigorosamente Apareceu: na justaposição seqüencial das primeiras letras das palavras de um período...

13 de fev. de 2010

Como ajudar as vítimas do terremoto do Haiti com doações para a Cruz Vermelha



Fonte da imagem: http://www.portalmaratimba.com/noticias/imagens/img_noticias/e23a93372d63f342c49f844d3febfdf1.jpg


por George Felipe de Lima Dantas


em 13 de fevereiro de 2010



Os interessados em ajudar as vítimas do terremoto do Haiti podem fazer depósitos de doações na conta do Comitê Internacional da Cruz Vermelha:


Cruz Vermelha
Banco HSBC
Agência 1276
Conta 14526 - 84
Aos interessados em fazer depósito online, o CNPJ do Comitê Internacional da Cruz Vermelha é 04.359688/0001-51.

INSTITUTO DE GEOGRAFIA E HISTÓRIA MILITAR DO BRASIL (IGHMB) -- Notificação da Morte do Capitão (PMDF-Falecido) CLEITON BATISTA NEIVA


por George Felipe de Lima Dantas
em 13 de fevereiro de 2010

Transcrição de mensagem eletrônica (datada de 13 de fevereiro de 2010) encaminhada ao Senhor Coronel de Engenharia e Engenheiro Militar, Doutor Luiz Carlos Carneiro de Paula, Titular da Cadeira 75 - Vilagran Cabrita, do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil.

Caro Senhor Doutor Coronel Carneiro de Paula:

Agradeço a presteza da resposta da minha modesta informação, para registro e eventual anúncio pelo INSTITUTO DE GEOGRAFIA E HISTÓRIA MILITAR DO BRASIL (IGHMB), da morte trágica do Capitão (PMDF-Falecido) CLEITON BATISTA NEIVA em 12 de janeiro de 2010 (sob os escombros da sede da ONU/MINUSTAH), sepultado em Brasília, Distrito Federal, em 07 de fevereiro de 2010 (promoção póstuma na mesma data do funeral).

Os termos da sua pronta mensagem-resposta são mais que alentadores. Eles denotam a importância com que um "Membro Titular da Cadeira 75" do IGHMB, nomeada por um brasileiro da importância histórica de um prócere militar como VILAGRAN CABRITA, recebe e acolhe respeitosamente a notícia do padecimento na tragédia do Haiti, enquanto prestava serviços à MINUSTAH, de alguém acumula, unicamente de forma concomitante, o fato de ser brasileiro, brasiliense, policial militar e oficial da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), instituição constitucionalmente apontada como Força Auxiliar Reserva do Exército Brasileiro.

Farei chegar a sua resposta ao pequeno órfão (de um ano e sete meses), Yannick Hoeglinger Neiva, por intermédio da viúva do Capitão CLEITON, Irene Hoeglinger Neiva. Tal resposta é muito mais dele, em um futuro em que buscará explicação para o presente e o passado, do que de qualquer um mais. Ela certamente dignifica não só o Capitão CLEITON, mas também o IGHMB por um gesto de reconhecimento e justa homenagem.

Grato em meu pesar.


JOÃO CARLOS DE VILLAGRAN CABRITA PATRONO DA ENGENHARIA
(10 de abril - Dia da Engenharia)

"O Tenente-Coronel João Carlos de Villagran Cabrita nasceu a 30 de dezembro de 1820, na Província Cisplastina (atual Uruguai), à época, anexada ao território brasileiro. Assentou praça em 13 de janeiro de 1840 e foi matriculado na Escola Militar da Corte, sendo declarado Alferes a 02 de dezembro de 1840. Assumiu o comando interino do Batalhão de Engenheiros, no dia 24 de julho de 1865, em pleno curso da Guerra da Tríplice Aliança. A participação dessa Unidade foi decisiva para o sucesso da transposição do rio Paraná pelas Forças Aliadas, nos primeiros dias de abril de 1866. A 10 daquele mês, na Ilha de Redenção, quando redigia a parte da vitória, foi atingido por um obus paraguaio, vindo a falecer. É o Patrono da Arma de Engenharia".
(Extraído do Noticiário do Exército Número 9.527, de 10 de abril de 1999)

12 de fev. de 2010

Auxílio especial às famílias de militares mortos no terremoto do Haiti

Fonte: http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI4244399-EI14687,00-Haiti+Camara+aprova+R+mil+a+familias+de+militares+mortos.html

O "site" do Terra noticiou que a Câmara Federal aprovou por unanimidade o Projeto de Lei (PL) 6.720 de 2010 que concede um "auxílio especial" (de R$ 500 mil) às famílias dos militares brasileiros que faleceram no terremoto de 12 de janeiro de 2010 no Haiti. O PL agora precisa ser votado pelo Senado. As informações da matéria foram providas pela Agência Câmara.



Elogios ao Capitão Cleiton Batista Neiva pela Organização das Nações Unidas







Os documentos mostrados referem-se ao fato de que o Capitão (PMDF-Falecido) Cleiton Batista Neiva tenha perecido no Haiti na função de "Assistant Security Officer" (12 de janeiro de 2010) e não nas funções inicial e originalmente ocupadas por ele (17 de setembro de 2004 a 17 de março de 2006).

Os documentos mostrados tratam de inequívocas referências elogiosas feitas ao policial brasileiro pelo "Chefe da Polícia da ONU no Haiti" (Comissário Principal Canadense, Richard Graham Muir), tanto quando o Capitão Cleiton foi "Police Chief of Operations to MINUSTAH's Joint Operations Centre (JOC) quanto, quando, subsequentemente, "Chief of Operations for the Western Department and the Capital of Port au Prince".

O Capitão Cleiton foi honrosamente reconduzido a outras funções de natureza policial desempenhadas até o seu falecimento em 12 de janeiro de 2009, pelo fato de que "(...) as Nações Unidas não puderam assegurar a extensão de seus serviços junto ao Governo do Brasil".

As referências finais da documentação ao jovem e promissor profissional da PMDF, da MINUSTAH e do Brasil são claras e já conhecidas de seus pares no Brasil: muito diligente e fundamental em importância como oficial de polícia; aceita a missão sem hesitação como a responsabilidade que conduz como Oficial de alto nível na organização para postos de supervisão; é determinado na busca de resultados operacionais; possui excepcionais qualidades interpessoais e; combina comunicação e habilidades vocacionais.

Talvez tudo isso possa explicar, de alguma forma, a excepcionalidade das oportunidades que o ainda jovem Cleiton Batista Neiva pode vivenciar (na primeira e na segunda missão a ele confiadas na MINUSTAH), pela graça de Deus e dos seus atributos pessoais, fixados em registros, agora históricos, apontados nos documentos da ONU acima apresentados.