17 de fev de 2010

Inteligência de Segurança Pública e Privada: Entendendo a Análise de Vínculos da Análise Criminal Moderna




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por George Felipe de Lima Dantas
em 17 de fevereiro de 2010


Analisar implica conhecer algo, começando por conhecer todas e cada uma das suas partes constitutivas. Na Análise Criminal (AC) moderna, que vem a ser um instrumento para estudo do fenômeno do crime e outros comportamentos desviantes derivados, é necessário lidar com grandes conjuntos de dados oriundos de fontes diversas. Aí estão incluídas as fontes humanas (falas e depoimentos, por exemplo), fontes de conteúdo (documentos, muitos deles de “fontes abertas” como a mídia), bem como fontes tecnológicas (a exemplo, os códigos binários e cifras criptografadas de transações digitais diversas).

Não menos importante do que as análises intra-específicas de cada uma das informações e dados oriundos de fontes disparatadas (humanas, de conteúdo e tecnológicas) dos componentes do fenômeno considerado, também é necessário dar sentido e produzir conhecimento válido, confiável, oportuno e relevante, resultante da integração analítica interespecífica de objetos de todas e cada uma das fontes. É necessário possibilitar vincular e integrar, no conhecimento final resultante, dados e as informações de todas essas fontes, com elas sendo intrinsecamente díspares.

Novas tecnologias, principalmente a Análise de Vínculos (AV), proporcionam um apoio inestimável para a atividade de produção de conhecimento da AC, mormente nas suas vertentes investigativa (voltada essencialmente para a criminalidade em geral) e de inteligência (voltada para objetos delitivos mais específicos, caso da corrupção, narcotráfico e terrorismo). Existe também uma demanda permanente de análise em prol do controle de fenômenos de ocorrência no Setor Privado, caso, por exemplo, das fraudes, que podem inviabilizar negócios e respectivos empreendimentos comerciais.

Com a AV, o apoio para a atividade de produção de conhecimento se traduz na capacidade efetiva de robustecer essa atividade, ao torná-la capaz de lidar rapidamente com enormes quantidades de dados e informações dos quais resulta um conhecimento de alta qualidade em termos de validade e confiabilidade para a prevenção e repressão criminal e de outras práticas desviantes.

Com os atuais aplicativos computacionais existentes da moderna Tecnologia da Informação (TI) é possível uma nova AC com uma igualmente moderna AV. A AV permite “mapear visualmente”, de maneira rápida, detalhada e objetiva, compreensível ao simples olhar (apelando para a chamada “inteligência visual”), uma vasta gama de entidades constitutivas do universo delitivo e que abrange enormes conteúdos de dados e informações. Isso possibilita um igualmente rápido entendimento de vínculos ou conexões entre essas entidades (pessoas, transações, contatos, etc.), verificar e determinar os padrões ou clichês repetitivos com que acontecem, bem como indicar tendências de ocorrências futuras e que, por isso mesmo, podem ser antecipadas pelos agentes da segurança pública e privada e até mesmo “flagradas” ou frustradas. Ou seja, a mesma complexidade da atividade criminal moderna é pareada com um instrumento de igual ou maior robustez para o seu controle.

Um componente essencial da AV mediada pela TI, mais além da sua capacidade de “dar sentido cognitivo final” a grandes e complexos conjuntos de dados e informações, é a sua função organizativa na “aquisição” destes mesmos dados e informações. Na atividade de “arrumar a casa”, antes de saber utilizá-la, a AV é um instrumento bastante robusto para uma rápida aquisição e modelagem de dados para posterior análise. E tome-se a expressão posterior como sempre postergável em sua dinâmica, já que o processo analítico será sempre cíclico, no mesmo passo do fenômeno delitivo ele próprio.

Tudo isso posto, é sempre interessante revisitar a questão da cognição humana diante dos “produtos finais” da AV. O aforismo de que “uma imagem vale por mil palavras” talvez seja o que melhor materialize a AV mediada pelos modernos instrumentos da TI. Os grafismos de alta capacidade comunicativa produzidos por esses aplicativos permitem uma comunicação extremamente simples e intuitiva de informações, o que por sua vez possibilita um processo decisório rápido e preciso da parte dos decisores, sejam eles de Estado (autoridades judiciárias, agentes da segurança pública ou de agências regulatórias, por exemplo) ou do Segundo Setor (executivos da indústria securitária ou financeira, por exemplo).

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