segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Seminário: "REGULANDO PONTOS QUENTES DO CRIME: UMA PERSPECTIVA BIOSSOCIAL"


Conteúdo original replicado por: George Felipe de Lima Dantas
em 08 de fevereiro de 2010

Fonte: "The Australian National University"
http://ceps.anu.edu.au/events/index.php#sherman

February 2010

Seminar: ‘Regulating crime hotspots: a biosocial perspective on policing’
Professor Lawrence Sherman, Wolfson Professor of Criminology and Director of the Police Executive Programme and Jerry Lee Centre for Experimental Criminology, Institute of Criminology, University of Cambridge, UK.Biography:Lawrence W. Sherman was elected Wolfson Professor of Criminology of the University of Cambridge in 2006. As Greenfield Professor of Human Relations at the University of Pennsylvania from 1999-2007, he was appointed the first Director of the University’s Jerry Lee Center of Criminology and first Chair of its Department of Criminology. Prior to that, he was Distinguished University Professor at the University of Maryland and an associate professor in the University at Albany’s School of Criminal Justice. His research interests are in the fields of crime prevention, evidence-based policy, restorative justice, police practices and experimental criminology. He has conducted field experiments, for example, on finding more effective ways to reduce homicide, gun violence, domestic violence, robbery, burglary, and other crime problems, in collaboration with such agencies as the Metropolitan, Northumbria and Thames Valley Police, London’s Crown Courts, HM Prisons, the Crown Prosecution Service, the Youth Justice Board of England and Wales, and the National Probation Service. Since 1995, he has been co-directing a program of prospective longitudinal experiments in restorative justice involving some 2500 offenders and 2000 crime victims. Since 2005, he has been developing new tools for predicting murder among offenders on probation and parole in Philadelphia, as well as randomized trials of intensive services among highest-risk offenders.

Abstract:Experimental evidence on police regulation of hot spots raises basic questions about crime. Reductions of crime with more police presence raise the claim of displacement, pitting an individualistic perspective on crime causation against a situational one. Placing the experimental evidence in a broader bio-social context, humans can be seen as primates whose competititon and cooperation is regulated by dominant group members. Future work in neuroscience may show more dynamic features of this framework, but the evidence suggests that violent encounters between individuals often occur in the presence of others, which can explain concentrations of crime in hot spots. The cross-species success in regulating conflict in hot spots of interaction is consistent with a bio-social view of deterrence, consisting as much of shame in group context as it does of any fear of physical pain.Friday 12th February: 12.00 – 1.00pm (brunch available from 11.45am; for catering purposes please RSVP to mailto:ceps@anu.edu.au?subject=RSVP%20for%20Prof.%20Lawrence%20Sherman%20seminar,%20Friday%2012%20February%202010).Seminar Room D, 2nd floor, H. C. Coombs Building, Fellows Road, ANU (reference D2 on the campus map).

Marcadores:

domingo, 7 de fevereiro de 2010

A Cerimônia Fúnebre de Cleiton Batista Neiva

Fonte da imagem: http://www1.sulekha.com/mstore/rc1947/albums/default/gratitude.jpg
A Cerimônia Fúnebre de Cleiton Batista Neiva


por George Felipe de Lima Dantas

em 07 de fevereiro de 2010


O que faz um mártir é a causa e não meramente a morte... (Napoleão Bonaporte)

A cerimônia fúnebre do Primeiro Tenente Cleiton Batista Neiva (parte do "staff" da Minustah/ONU/Haiti, quando em trabalho voluntário de licença regulamentar temporária da PMDF), falecido nas instalações sinistradas da ONU (Sede da Minustah em Porto Príncipe) por ocasião do terremoto da capital haitiana, Haiti em 12 de janeiro de 2010, foi realizada em 07 de fevereiro de 2010 nas instalações da Academia de Polícia Militar de Brasília (APMB) da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF). Tal cerimônia incluiu uma missa de corpo presente, cânticos e pronunciamentos acerca da vida do jovem policial militar falecido e divulgação da sua mais que merecida promoção post-mortem ao posto de Capitão, enquanto mártir da sua família, da PMDF, da comunidade do Distrito Federal, da Nação Brasileira e da grande comunidade universal que contribui e segue contribuindo para com o esforço internacional em prol da estabilização do Haiti.

A PMDF fez realizar uma cerimônia digna, sóbria e singela, com recursos institucionais e dos membros da turma de “irmãos de armas” do jovem oficial policial militar falecido. Mas faltou algo...

O algo que parece ter faltado foi uma esperada e justa equidade, em dimensão política e cerimonial, de âmbito nacional e distrital, à chegada, homenagens e declarações de justos e merecidos benefícios aos familiares dos demais mártires brasileiros no Haiti, cujos restos mortais antecederam, em sua chegada, os do agora Capitão Cleiton Batista Neiva.

A nação vive um tempo turbulento em relação à segurança pública. Talvez por isso mesmo as instituições do setor estejam permanentemente em cheque em sua relação enquanto prestadoras de serviços para suas respectivas comunidades, no que tange questões de lei e ordem. Pratica-se hoje no Brasil uma retórica político-ideológica que aponta a "polícia comunitária" em sua tradição, filosofia, gestão e práticas como "o caminho a seguir". E não poderia ser diferente disso na vigência do "Estado Democrático de Direito” e tomando como paradigma o chamado Primeiro Mundo (países ocidentais de democracia consolidada e seus sistemas de “justiça criminal” que enfatizam o modelo de "polícia comunitária").

A tônica da filosofia de gestão comunitária da segurança pública (ou "polícia comunitária") talvez seja a retomada de um "velho vinho em um frasco novo", cujo exemplo emblemático é uma paradigmática "polícia cidadã" representada pela Polícia Metropolitana de Londres, alcunhada historicamente de "Scotland Yard" em uma alusão ao seu local sede de origem. Ela foi uma polícia nascida sob o signo de que a comunidade é a polícia e a polícia, formalmente instituída, apenas uma parte da comunidade exercendo atividades policiais de maneira formal e continuada: comunidade/polícia ou polícia/comunidade em "tempo integral". Parece ser isso o que se depreende dos princípios enumerados por Robert Peel, Primeiro-Ministro da Inglaterra ao instituir em 1829 a hoje “Polícia Metropolitana de Londres” ou Met como é carinhosamente alcunhada nos dias atuais.

Não é possível dissociar tudo isso do funeral do oficial policial militar do Distrito Federal, brasileiro tombado heroicamente no Haiti...

O que faltou à cerimônia fúnebre do agora Capitão Cleiton Batista Neiva foi o “autêntico espírito" da retórica da "polícia comunitária" de Robert Peel e que hoje se pretende estabelecer no país: a comunidade em identidade e harmonia com sua polícia -- ela própria em uniforme...

Cleiton não poderia ser mais emblemático do que é pertencer a uma família brasileira, a uma comunidade (Ceilândia, Distrito Federal) de perfil socioeconômico similar ao de boa parte do restante do povo (classe média), de haver ingressado em uma instituição pública cujo acesso é realizado de maneira aberta e não-discriminatória, dele fazer parte dos nascidos e criados na capital "de todos os brasileiros" e pertencer a um país de dimensões continentais e que hoje está formente engajado em ascender a uma posição de liderança na comunidade internacional. Nesse caso, Cleiton se houve brilhantemente, tanto como cidadão brasileiro quanto policial militar distrital!!!



O agora Capitão Cleiton Batista Neiva descansa em paz, em solo pátrio, como herói e mártir, depois que a sua família e a sua PMDF fizeram realizar uma cerimônia digna, sóbria e singela, com recursos institucionais e dos membros da turma de “irmãos de armas” do jovem oficial falecido. Mas, com tudo isso, faltou algo...

Marcadores:

Mártires do Haiti

Fonte da imagem: http://www.solarnavigator.net/history/explorers_history/Napoleon_Bonapartes_portrait.jpg
O que faz um mártir é a causa e não meramente a morte...
(Napoleão Bonaporte)

Marcadores: