10 de abr de 2011

O Massacre do Rio de Janeiro em Realengo

Fonte da imagem:http://www.takeonit.com/images/topic/thumbnail/crime.jpg

postado por George Felipe de Lima Dantas
em 10 de abril de 2011


Referência: CB/domingo 10 de abril de 2011: "Após chacina, especialistas voltam a defender debate sobre desarmamento".


A matéria do CB de domingo sobre o massacre do Rio de Janeiro sugere o truísmo (verdade evidente por si mesma) de que "massacres por disparo de armas de fogo ocorrem por armas de fogo"... Isso não parece acrescentar muito ao debate sobre um tipo de ocorrência que envolve aspectos bem mais amplos, profundos e complexos. Alguns deles vão citados abaixo.

Os massacres em escolas, entre 1913 e 2011, envolveram ao menos 44 episódios. Eles estão concentrados geograficamente nos EUA (14 eventos), China (9 eventos), Alemanha (6 eventos) e Canadá (3 eventos).

Os 44 eventos estão distribuídos cronologicamente, ao longo das décadas do último século e do século do XXI, com especial concentração no período 2001-2010 (20 eventos), 1991-2000 (9 eventos) e 1971-1980/1981-1990 (5 eventos/5 eventos).

Os registros históricos apontam um máximo de 44 vítimas (massacre escolar de Michigan em 1927), com uma média de 8 vítimas por evento, sendo 5 vítimas o número mais freqüente delas (modal).

Quanto ao assassino, é possível estabelecer para um ele um perfil baseado nas 44 ocorrências. Ele é homem, com cerca de 26 anos, e em 70% dos casos a idade varia de 15 até 37 anos. A idade mais freqüente é de 17 anos. As idades mínima e máxima são, respectivamente, 11 e 55 anos.

Em 22 dos 44 casos estudados o autor do crime termina por tirar a própria vida no local do massacre. A "esquizofrenia paranóide", caracterizada por sintomas de "visionarismo" (alguém que "ouve vozes" e é comandado por elas), parece freqüente entre os autores de tais delitos. Alguns deles são motivados por exercer "controle sobre terceiros", o que é levado ao limite de determinar e executar a morte das suas vítimas.

Um detalhe da maior importância é o quão raro é um episódio de massacre em escolas. Isso implica em uma imensa dificuldade em prever e assim poder prevenir esse tipo de ocorrência. Disso decorre a observação de que a matéria do CB de 10 de abril desvia a complexidade do tema para a questão das armas, tomando apenas um aspecto único e genérico, aplicável ao crime e violência em geral, como se fosse primordial, ao abordar uma questão específica e complexa como é o caso. O corolário disso talvez possa ser identificado na alta incidência do fenômeno na China, país onde não parece existir um clima de permissividade no que tange a aquisição e posse de armas...

Nenhum comentário: