23 de ago de 2009

Meu nome é Merla: escravizo e mato




por George Felipe de Lima Dantas




Ela é uma verdadeira praga social contemporânea. O nome dela é merla. Droga altamente perigosa, subproduto do processo de produção da cocaína, a merla vem trazendo inúmeras tragédias e mortes às famílias brasileiras.




A merla é obtida da mistura da pasta de coca com vários agentes químicos, incluindo ácido sulfúrico, querosene, cal virgem e até mesmo solução de bateria de automóveis. Um quilograma de cocaína, misturado a essas substâncias não menos tóxicas, produz até três quilos de merla.


Apresentada sob a forma de pasta, ela é fumada pura ou no cigarro, sendo assimilada nos pulmões, órgão de onde vai para o sistema nervoso central através da circulação sangüínea.




Mas existe outra merla (com "eme" maiúsculo, dos desenhos infantis da "World Events Productions" norte-americana...). Ela é uma rainha de super-poderes, aliada do robô Zarkon do desenho animado virtual Voltron. Nessa peça ficcional, Merla é personagem virtual que tem algo em comum com a merla real, droga ilícita, já que ambas fazem as pessoas agirem do jeito que querem, virando suas escravas...




A escravidão do vício da merla produz alucinações, depressão e sensação de medo. Ela também é chamada de "nóia", gíria derivada da palavra paranóia, numa alusão ao fato de que sob seus efeitos os usuários entram em um estado maníaco de perseguição. As comunidades brasileiras estão fartas disso e já não toleram mais ver seus jovens transformados em zumbis da merla e de outras drogas.




Tempos atrás, em Brasília, a comunidade, ela própria, corajosa e responsavelmente informou os órgãos de segurança pública importantes detalhes sobre o uso e tráfico de merla em diferentes locais do Distrito Federal. Ligações telefônicas recebidas pelo disque-denúncia, (061) 323-8855, fizeram com que pudesse ser desencadeado todo um mega trabalho de investigação, atividade técnica altamente especializada e persistente que envolveu dezenas de policiais por mais de seis meses.




Vale enfatizar que a identidade dos que fazem uso do "disque-denúncia" está, e sempre estará, completamente preservada. Não é necessário sequer dar o nome ao fazer a ligação telefônica. Todo processo de apuração policial do tráfico de merla em Brasília foi cuidadosamente compartimentado (cada um sabendo apenas o necessário para fazer sua parte...), no melhor estilo das grandes investigações policiais do mundo. Isso foi primordial para que não "vazassem" informações durante o longo trabalho realizado, detalhado e paciente, altamente bem sucedido ao final. Em Brasília, a delegacia especializada da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deu provas de grande integridade e competência, ingredientes essenciais ao êxito policial na repressão ao tráfico. Resultado: 18 traficantes fora de circulação nos próximos 10 ou 20 anos. Alguns outros desses delinqüentes covardes e irresponsáveis tiveram sua prisão temporária decretada pelo Poder Judiciário. A operação policial desarticulou, simultaneamente, mais da metade dacapacidade local de distribuição de merla.




É importante que a comunidade, particularmente as famílias de crianças e adolescentes, esteja atenta aos sinais do uso de merla: extremidades dos dedos amareladas (a merla é fumada), lacrimejamento, olhos avermelhados, comportamento irritadiço, respiração difícil, mãos trêmulas e inquietação. O uso dessa droga ilícita é bastante difícil de dissimular, já que os produtos químicos a ela adicionados durante o preparo exalam do corpo do usuário pela transpiração.




A mensagem que fica é a de que os traficantes a cada dia vão ficando cada vez mais sem espaço para exercer seu ofício maldito. A comunidade, em interação com os órgãos policiais, vem dando um basta à destruição de seus jovens, conseqüência do uso de drogas ilícitas criminosamente traficadas pelos mercadores da morte.




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