26 de ago de 2009

Cuidados na Interpretação de Instrumentos de Pesquisa...

por George Felipe de Lima Dantas
26 de agosto de 2009

Referências:

http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a2630013.xml&template=3898.dwt&edition=12983&section=1001

http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a2630014.xml&template=3898.dwt&edition=12983&section=1001

"Policiais querem polícia única e civil"/"Tortura faz parte da rotina de formação"
Fonte: Zero Hora -- 25 08 -- Carlos Etchicury/Jornalista/Zero Hora (links da matéria acima texto)

Prezado Carlos Etchicury:

É preciso alguns cuidados na interpretação de instrumentos de pesquisa...

Talvez você não tenha imaginado (como muita gente não imagina...), mas os chamados 'respondentes efetivos' (aqueles que de fato respondem a instrumentos de pesquisa enviados para uma 'amostra' de toda uma população pesquisada, em que alguns respondem e outros não) são, via de regra, ativistas do lado mais reativo do que a pesquisa/perguntas possa/possam sugerir.

Isso faz com que perguntar seja uma 'arte intelectual' de grande dificuldade para obter respostas em que o ativismo reativo não esteja embutido. Os ideólogos de algo e que buscam sustentar suas idéias com os resultados da pesquisa, muitas vezes, mesmo buscando perguntar, supostamente sem ‘viés’, intuitivamente formulam perguntas em que a própria resposta ideológica desejada é induzida.

Por exemplo, se for feita uma pesquisa/pergunta acerca de animais, os ativistas de defesa da vida silvestre serão muito mais veementes em responder do que uma grande maioria (?) que não está sequer atenta a tais importantes aspectos dessa militância em prol da biosfera.

A questão do corporativismo policial (bem como da unificação, ‘militarização ou não’, corrupção, tortura, etc.) pode ser considerada como algo que polariza respondentes que estão alinhados com o 'status quo' e outros que procuram ou acham que ele deva ser mudado.

Ainda assim, pela própria natureza do povo brasileiro, não é de supor que servidores da segurança pública (com origem no mesmo povo a que servem), da origem que forem (bombeiros, guardas municipais, policiais federais, estaduais, distritais, civis, militares, etc.), em sua maioria absoluta, sejam violentos, corruptos ou torturadores ou que sequer apoiem tais práticas criminosas!

As instituições policiais são seculares em sua grande maioria e os mais velhos (ou mais graduados ou de maior posto) dos seus membros estão mais alinhados com a tradição e a estabilidade secular delas (com eles sendo classificáveis como moderados, conservadores e reacionários), enquanto os mais moços buscam mudanças (rotuláveis como reformistas e revolucionários). Isso é típico da própria natureza humana e a psicologia social aponta claramente essas nuances do desenvolvimento humano...

Seria possível fazer inferências definitivas, como as que vão na matéria, se todos os perfis ideológicos institucionais respondessem em mesma intensidade em relação ao número totalizado apontado e que representa os ‘respondentes efetivos’. Neutralidade, nesse caso, é praticamente impossível. Esse número (63 mil e poucos respondentes) não deve corresponder a uma amostra representativa de todos os perfis ideológicos existentes nas instituições de segurança pesquisadas na 'survey' (pesquisa amostral)...

De toda sorte, parabéns pela matéria!

George Felipe de Lima Dantas

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