17 de ago de 2009

ALVIN TOFLER E O IMPACTO DA TECNOLOGIA NA ÁREA POLICIAL




Referência:



Toffler A., and Toffler H. (1994). War & Anti-War - Survival at the Dawn of the 21st Century. London, UK:, Little Brown and Co.







por George Felipe de Lima Dantas


9 de dezembro de 2002



"Em relação ao futuro, sua tarefa não é prevê-lo, mas sim torná-lo possível" (Antoine de Saint-Exupéry)



Alvin Tofler, famoso por suas obras "O Choque do Futuro" e "A Terceira Onda", também explorou o tema policial, tratando do assunto vis-à-vis as novas possibilidades da modernidade.
Toffler refere o bordão de que "os generais sempre tentam lutar várias vezes como fizeram em sua última guerra". A referência é alusiva aos franceses e a "Linha Maginot", aplicada ao cenário da Segunda Guerra Mundial em decorrência de experiências resultantes do conflito mundial anterior. Segundo o conhecido autor, os generais franceses teriam se fixado nas táticas da chamada "guerra de trincheiras", não dando a devida atenção, à época, aos recursos bélicos modernos que estavam começando a surgir: poder aéreo, forças terrestres de alta mobilidade e táticas de "blitzen" dos alemães. Como resultado, sugere Toffler, no início do segundo grande conflito mundial os franceses estavam com recursos militares alocados equivocadamente, o que permitiu aos alemães atravessarem a França em apenas algumas semanas.


Toffler aponta que, semelhante ao que aconteceu na França, a grande questão que hoje se coloca para os profissionais da segurança pública é: estará a polícia "combatendo as guerras contemporâneas com as armas de ontem? - E segue afirmando que a revolução tecnológica que o mundo já está vivendo, em sua alta velocidade, irá fazer surgir novas armas e métodos, isso tanto para a polícia quanto para os criminosos.




"Nesses dias atuais, as pessoas buscam conhecimento, não sabedoria. Conhecimento é algo do passado, sabedoria é algo do futuro". (Vernon Cooper)



O futurologista cita as experiências de monitoramento eletrônico que já estão sendo realizadas pelo FBI com indivíduos em liberdade condicional, bem como os sistemas de "inteligência artificial" para análise criminal desenvolvidos naquele mesmo órgão. Alude ainda visões, antes de mera ficção científica, mas que já agora sugerem sistemas de controle do comportamento através do uso de drogas e da estimulação cerebral, capazes de serem efetivos durante as 24 horas do dia (numa referência aos escritos de George Orwell e do seu ‘Big Brother’ de 1949). Faz referência a colônias penais submarinas e espaciais. Numa citação aos avanços que a tecnologia vem trazendo, levanta as novas possibilidades de delinqüência nas áreas da genética, inseminação artificial, software, etc...


Toffler alerta para o fato de que a modernidade está produzindo novas questões legais, políticas e éticas, todas as elas com impacto na atividade policial. Materializando tudo isso, lança no ar a questão da identificação do tipo penal que corresponderia ao ato de subtrair um embrião congelado e o quanto os resultados das tecnologias de monitoramento biológico poderiam ser admitidos como elementos de prova. Especula acerca das múltiplas possibilidades de invasão de privacidade hoje existentes, bem como o impacto delas sobre os valores democráticos, sugerindo uma reflexão acerca de como adequar antigos códigos e leis aos novos tempos.

Alvin Toffler alerta para o fato de que uma escalada da desordem social poderá levar a cidadania a demandar medidas cada vez mais punitivas, intrusivas e, quem sabe, antidemocráticas. A situação pintada parece especialmente perigosa em um mundo de tantas novas possibilidades de controle social. Função desse novo horizonte que já se descortinava nos anos 1990 (década da edição da obra de referência), Alvin Tofler apontava que já era tempo de analisar como o futuro das mudanças tecnológicas e sociais poderá ser compatibilizado nas ações de emprego policial.


O famoso autor sugere ainda que a polícia e outras instituições de governo devem repensar suas práticas, levando em conta a utilização da tecnologia não apenas para suprimir, mas principalmente para prevenir o fenômeno da criminalidade e da violência. Dá ênfase toda especial aos limites entre a ação do Estado e os direitos e garantias individuais, sublinhando a necessidade de fazer com que a atividade policial, no futuro logo adiante, proteja tanto a sociedade quanto os valores democráticos sobre os quais ela está assentada.


Termina por sugerir que é necessário começar a pensar em tudo isso desde já, de maneira a tornar possível, no futuro que se aproxima, uma ação policial de preservação da lei e da ordem, mas que preserve também a democracia.





"O amanhã pertence àqueles que se prepararam para ele hoje." (Provérbio Africano)




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