12 de jan de 2011

Futebol e Inteligência de Segurança Pública/Análise Criminal



por George Felipe de Lima Dantas
em 12 de janeiro de 2011

Difundido originalmente em 10 de dezembro de 2001


A "INTELIGÊNCIA POLICIAL" DESMISTIFICADA

Em 1996 a Inglaterra sediou o campeonato europeu de futebol ("Euro 96"). O governo federal britânico estava determinado a impedir que os espetáculos futebolísticos fossem empanados por ações criminosas e violentas de desordeiros de estádios, de diferentes países, conhecidos na Europa como "hooligans". A Polícia Metropolitana de Londres (antiga "Scotland Yard") constituiu uma unidade especial para dirigir as atividades policiais pertinentes aos jogos, fazendo parte dela uma "célula de inteligência" equipada com computadores "rodando" um software de Análise de Vínculos, todos eles conectados em rede.
A maioria das polícias dos países representados na "Euro ’96" já utilizava a Análise de Vínculos para realizar análises criminais em prol das atividades de inteligência policial de seus próprios países. Cada país participando da competição enviou um representante policial ao país sede do certame, a Inglaterra, para que lá atuasse como "elemento de ligação" com a polícia britânica.
Computadores e software tornaram possível que fosse utilizada uma "formatação comum" para a troca de inteligência entre os vários policiais dos diferentes países presentes.
Os analistas policiais britânicos usaram um software para criar diagramas e organogramas identificando desordeiros de torcida ("hooligans") e os vínculos entre eles. Tais representações gráficas de vínculos foram utilizadas nos "briefings de segurança" realizados em vários níveis gerenciais responsáveis pelos eventos desportivos, mostrando indivíduos envolvidos com a violência em estádios europeus em geral e as respectivas associações entre eles, em um trabalho de grande complexidade realizado pela rede de analistas.

Os responsáveis pelo policiamento puderam, função do trabalho prévio de inteligência e análise criminal, identificar problemas potenciais, prevenindo-os através da alocação de recursos policiais apropriados, nos locais certos e nos momentos necessários.
As representações gráficas (de forte apelo à "inteligência visual") de entidades ligadas ao fenômeno da desordem e do crime em estádios, foram incluídas nos "pacotes de informação" de inteligência policial (relatórios e boletins) distribuídos às unidades de execução do policiamento. Tais recursos informacionais provaram constituir-se como ferramenta poderosa de identificação de "áreas e indivíduos problema", contribuindo significativamente para o sucesso do certame desportivo.

Os desordeiros "hooligans" freqüentemente eram interceptados antes mesmo que pudessem chegar aos estádios.
A operação policial da "Euro 96" logrou identificar e, por isso mesmo, prevenir problemas com grande efetividade, tanto com a antecedência de dias, quanto de horas e até mesmo de minutos antes da realização das competições. As unidades operacionais usaram a "tecnologia do conhecimento" produzida através de hardware e software específicos, assegurando que os jogos pudessem ser apreciados em segurança pelo público presente, numa atmosfera pacífica e ordeira.

A Eurocopa 96, fruto da integração da informação e da tecnologia utilizada para tanto, ficou marcada como uma das competições do gênero das mais pacíficas e apreciadas pelo público.

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