2 de dez de 2010

Algumas Considerações Iniciais sobre a Análise Criminal

Fonte: http://rsif.royalsocietypublishing.org/content/6/32/307.full

Equações utilizadas (modificadas) por Rosmmo e Le Comber, enquanto instrumentos estatísticos em estudos de Análise Criminal para o estabelecimento do perfil geográfico do local de moradia de suspeitos prioritários do cometimento de crimes seriais. A modelagem assim realizada tem sido extremamente bem sucedida.



por George Felipe de Lima Dantas
em 1º de dezembro de 2010

“Hoje a atividade de Inteligência não é mais meramente uma profissão, mas igualmente ao que acontece com a maioria das profissões, tomou as características também de uma disciplina: desenvolveu metodologia reconhecida, vocabulário próprio, corpo teórico e doutrina e técnicas elaboradas e requintadas. Agora a Inteligência tem um grande número de seguidores profissionais. O que falta a ela é uma literatura técnica. Do meu ponto de vista, isso representa uma questão de grande importância, pois na medida em que falte literatura técnica para uma disciplina, seu método, vocabulário, corpo de doutrina e até mesmo teoria básica correm o risco de nunca atingirem um estado de completa maturidade.” (Sherman Kent) (Tradução livre com adaptações)

Nos últimos dez anos a disciplina de Análise Criminal (AC), parte do domínio maior da Inteligência de Segurança Publica (ISP), vem sendo referida de maneira crescente em nosso país. Como tudo que é novo em algum momento e em um determinado lugar, a abordagem da AC, feita por alguns que apenas começam a tratar do tema, certas vezes carece de completude teórica e/ou da possibilidade de ser depois aplicada adequadamente e de maneira efetiva por seu aprendiz.

A situação apontada decorre do fato de que em um campo ou domínio específico do conhecimento, caso da ISP/AC, sabidamente escasso em literatura técnica (conforme aponta o clássico autor Sherman Kent) podem ocorrer “equívocos estratégicos”, na tentativa de "chegar rápido demais”, antes mesmo que a comunidade acadêmica do setor, como um todo, tenha atingido alguma maturidade e conseqüente consolidação da doutrina respectiva. A ausência de produção de literatura técnica é sempre um indicador disso. É preciso, portanto, estar atento para não confundir “informação” com “formação”.

Uma “propalada AC”, em seu ensino e pesquisa, pode ser algo ainda apenas parcial em termos da integridade da disciplina em seu real significado para aplicação no meio técnico-profissional da segurança pública. Alguns temas correlatos devem ser apreciados e cotejados cuidadosamente, no sentido de um “reality checking” (verificação factual) para verificação da qualidade da corrente explosão em iniciativas de ensino e pesquisa em AC.

Um tema sempre da maior relevância é a questão do que seja “pesquisa” – algo que é parte essencial da AC. Seguem a seguir duas indicações do que ela vem a ser...

  • Pesquisa é a busca pelo conhecimento ou qualquer atividade de investigação sistemática empreendida com o objetivo do estabelecimento dos fatos.
  • Pesquisa é uma abordagem sistemática para reunião de informação baseada em processos e procedimentos previamente estabelecidos, conforme os cânones da metodologia da pesquisa científica e respectivas técnicas, oriundas especificamente das ciências sociais e comportamentais.
Em outras breves “considerações”, deste mesmo gênero, serão aqui abordados alguns processos e procedimentos de natureza quantitativa e que necessariamente devem ser parte da “caixa de ferramentas” daquele que pretende explorar o amplo universo da Análise Criminal (AC).

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