3 de abr de 2010

A Atividade de Inteligência no Contexto da Tecnologia da Informação: Inteligência Artificial e Seus Aplicativos Tecnológicos


Fonte da imagem: http://signore.files.wordpress.com/2006/10/artificial-intelligence-bartender.jpg

por George Felipe de Lima Dantas
em 03 de abril de 2010

O termo “Inteligência Artificial” (IA), na verdade, é
referente a aplicações tecnológicas concebidas sob a égide da ciência
da computação e não uma entidade abstrata, especulativa, em direta oposição à "inteligência natural", própria da cognição humana.

No sentido de que a (IA)está vinculada a produtos do tipo "aplicativos" ou softwares, é possível classificá-los como “agentes inteligentes de software”. Esse tipo genérico de produto pode fazer Análise Criminal (AC), por exemplo, ao analisar dados e informações e encontrar padrões que não são encontrados de maneira óbvia para o operador da atividade de investigativa, inteligência ou de análise operacional. Tais aplicativos, portanto, podem produzir conhecimento a partir de dados brutos, sem mediação humana imediata.

Tomando como exemplo softwares como o Analyst’s Notebook ou o COPLINK, seus respectivos ambientes de operação e produção são mais ricos do que os usuais da antiga AC (antes da “Era da Informação”), ao utilizarem a mídia humana como é o caso de infográficos que apelam para a inteligência visual, ao apresentarem resultados transmitidos por diagramas os mais diversos, eventualmente complementados por textos e até mesmo sons.

O termo aplicado, agente, no contexto dos “agentes inteligentes de software” se traduz pelo fato de que o software inteligente estaria, logicamente, autorizado por seu proprietário/cliente/operador para fazer algo -- ou agir em nome dele. Para tanto, ele teria sido “delegado”, tendo a necessária competência e facilidade ou
amenidades (como ao poder “falar” com outros instrumentos informacionais, ou seja,
possuindo “interfaces”) para cumprir tal delegação.

A delegação seria especificamente para executar uma tarefa pré-determinada e/ou resolver um problema singular. A competência seria a capacidade efetiva de manipular o ambiente do problema/tarefa, para assim resolve-lo e/ou executá-la, respectivamente, incluindo a comunicação de resultados finais. A facilidade ou amenidade seria a habilidade do “agente inteligente de software” de funcionar da melhor maneira possível, em um ambiente usualmente dinâmico, mas fazendo isso de maneira passível de ser até mesmo rastreada posteriormente (pelos chamados “relatórios” de operações). Os ambientes tecnológicos de atuação de agentes inteligentes de software incluem sistemas operacionais, aplicativos, bases de dados, redes e domínios virtuais.

A delegação de um agente inteligente de software está centrada na sua chamada “persistência”. A persistência se explica pelo fato do software poder permanecer “residente ou persistente” como algo que permanece como “processo de fundo”, mesmo quando esquecido pelo proprietário/cliente/operador depois de acionado. Assim, depois de acionado, o software toma decisões e atua de maneira independente em seu ambiente, reduzindo a carga de trabalho humano pelo fato de voltar a interagir com seu proprietário/operador apenas para comunicar
resultados.

Essa autonomia de persistência “não-humana” pode fazer parecer que os agentes inteligentes de software proporcionem resultados sobre-humanos para seus proprietários/clientes/operadores, em termos de volume trabalhado e alta velocidade de execução do trabalho respectivo. E realmente eles produzem resultados sobre-humanos...

A competência, no que tange o ambiente/tarefa do software considerado, requer do agente inteligente de software "conhecimento" dos protocolos específicos do domínio ou ambiente correspondente de operação. O exemplo disso inclui protocolos como SQL para bases de dados, HTTP para a rede mundial de computadores e API para sistemas operacionais.

As capacidades dos aplicativos de AC, e que envolvem a IA pelo tipo de tarefa e/ou problema a ser resolvido, advêm de áreas de pesquisa de difícil realização pelos
produtores/desenvolvedores desses aplicativos. Podem ser citadas como tais capacidades: (i) estabelecer de inferências lógicas e deduções (como na análise de
vínculos entre entidades delitivas); (ii) identificar informações de domínios
contextuais específicos(como na procura e determinação de conteúdos sobre temas singulares em investigações sobre pedofilia, terrorismo ou narcotráfico) hoje até mesmo de "fontes abertas" encontradas na rede mundial de computadores e; (iii)
reconhecer padrões, como no processamento e determinação de “assinaturas” de criminosos em bases de dados de históricos de boletins de ocorrências policiais.

Uma vez que as competências acima tenham sido automatizadas em softwares, operações autônomas permitirão que os agentes inteligentes de software possam processar vastos volumes de dados, o que seria normalmente impossível por parte de agentes humanos. Adicionalmente, esses aplicativos podem analisar, acessar, planejar e reagir, nos
respectivos ambientes (SQL, HTTP, API, etc.) em velocidades de dimensão escalar inconcebível para a capacidade humana.

Aplicações comuns de agentes inteligentes de software na área da inteligência incluem (i) coleta e filtragem de dados (como na fase de “reunião” do ciclo de produção de conhecimento da atividade de inteligência); (ii) reconhecimento
de padrões (já citado acima); (iii) notificação de eventos (como no caso de novos registros de boletins de ocorrências com a mesma “assinatura” e situadas em bases
de dados); (iv) apresentações de dados (como no caso de relatórios de criminalidade atualizados em “tempo real” para gestores usuários de sistemas de gestão operacional); (v) planejamento e otimização (como no caso de estatísticas computadorizadas determinantes de “pontos quentes” em mapas por geoprocessamento) e;
(vi) implementação de “resposta rápida” (como no caso do “deslocamento espacial do crime”, quando da utilização de circuitos fechados de televisão – CFTV associados com biometria facial e que demandam reposicionamento de recursos tático-operacionais).

Um determinado número de clientes de serviços computacionais providos por agentes inteligentes de software já existe desde mais algumas poucas décadas, mas esse número foi significativamente aumentado com a universalização de recursos disponíveis via web. Igualmente em expansão está o número de aplicações de agentes de softwares inteligentes, na medida em que um número cada vez maior de potenciais
clientes, a exemplo, da segurança pública, tem de dar resposta a situações envolvendo uma enorme sobrecarga de dados, como no caso da interceptação eletrônica de grandes quantidades de alvos.

É sempre bom ter em conta que sempre existirá, em maior ou menor grau, um paralelismo de necessidades entre as áreas de inteligência de segurança pública, militar, de Estado e privada. A essas áreas correspondem, como usuários finais, policiais, analistas táticos e estratégicos da área militar, analistas de inteligência de Estado, bem como administradores/analistas do setor privado. A Inteligência Artificial, seus métodos, produtos e ultimamente até mesmo sua organização -- em novos "centros de fusão" -- parece estar bastante em demanda.

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