24 de mar de 2010

LEITURA RECOMENDADA:Homicídio e impunidade: análise ecológica em nível de estado no Brasil


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Fonte do texto base: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0034-89102009000500001&script=sci_arttext

Replicado em postagem no BLOG por George Felipe de Lima Dantas
em 24 de março de 2010

Revista de Saúde Pública
Print version ISSN 0034-8910
Rev. Saúde Pública vol.43 no.5 São Paulo Oct. 2009
doi: 10.1590/S0034-89102009000500001
ARTIGOS ORIGINAIS

Homicide and impunity: an ecological analysis at state level in Brazil

Homicídio e impunidade: análise ecológica em nível de estado no Brasil

Homicidio e impunidad: análisis ecológico a nivel de estado en Brasil

Paulo NadanovskyI; Roger Keller CelesteII; Margo WilsonIII; Martin DalyIII
IDepartamento de Epidemiologia. Instituto de Medicina Social (IMS). Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Rio de Janeiro, RJ, Brasil
IIPrograma de Pós-Graduação em Saúde Coletiva. IMS-UERJ. Rio de Janeiro, RJ, Brasil
IIIDepartment of Psychology, Behaviour and Neuroscience. McMaster University. Hamilton, ON, Canada.

RESUMO

OBJETIVO: Avaliar um novo índice de impunidade e variáveis que predizem variação em taxas de homicídio em outros níveis geográficos como preditivos das taxas de homicídio no nível de estados no Brasil.

MÉTODOS: Estudo ecológico transversal. Foram analisados dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade referentes aos 27 estados brasileiros no período de 1996 a 2005. Foram consideradas variáveis de desfecho taxas de vitimização por homicídio em 2005 para a população inteira e para homens de 20-29 anos. Foram analisados como preditores medidas de desenvolvimento econômico e social, desigualdade econômica, estrutura demográfica e expectativa de vida. Foi construído um índice de impunidade calculado pelo número total de homicídios entre 1996-2005 dividido pelo número de pessoas na prisão em 2007. Os dados foram analisados empregando-se regressão linear simples e regressão binomial negativa.

RESULTADOS: Em 2005, taxas brutas de homicídio em nível de estado variaram de 11 a 51por 100.000 e aquelas para homens jovens de 39 a 241. O índice de impunidade variou entre 0,4 e 3,5, sendo o preditor mais importante dessa variabilidade. Na regressão binomial negativa, estimou-se aumento de 50% na taxa de homicídio em homens jovens para cada aumento de um ponto nessa razão.

CONCLUSÕES: Preditores clássicos não estavam associados com a variação nas taxas de homicídio nessa análise em nível estadual no Brasil. Entretanto, o índice de impunidade indicou que quanto maior a impunidade, maior a taxa de homicídio.

Descritores: Homicídio, estatística & dados numéricos. Causas Externas. Violência. Fatores Socioeconômicos. Iniqüidade Social. Estudos Ecológicos. Estudos Transversais.

2 comentários:

Vitão disse...

Bom dia, professor!
Gosto muito dos seus textos e de seus trabalhos. Penso em trilhar caminho semelhante, estudando e focando meus esforços para melhorias na Segurança Pública. Há um caminho para seguir? Em Brasília, para onde vou, é possível começar esse desenvolvimento?
Obrigado

Blogandosegurança disse...

Vitão:

Obrigado por seu comentário.

Ele refere textos, trabalhos, estudos e esforços para melhorar algo. A simples referência a esses termos revela que você "já está no caminho"...

O que ajuda um pouco mais objetivamente a "caminhar no caminho", é poder olhar a "floresta inteira", lá de cima da "montanha", chegando aos ombros dos "gigantes". Subir até esses ombros implica em estudar diversos temas, abordagens e autores interconectados.

Os gigantes são aqueles que pavimentaram o conhecimento antes de nós -- foram eles que construíram o "caminho". Eles criaram artefatos teóricos como a Teoria Situacional do Crime, a Teoria da Subcultura da Violência, a Análise Criminal, a Análise de Vínculos, a Biometria Digital, etc, etc, etc.

Existe quem trate a segurança pública fundamentalmente sob um ponto de vista político-ideológico -- espécie de etiologia do fenômeno do crime e da violência, fixada nas causas ou criminogênese e na prevenção primária correspondente. Ela é tão essencial, para a sociedade, como outra corrente, a da gestão, mais imediatista e reativa, e que trata da epidemiologia do mesmo fenômeno, buscando erradicá-lo ao nível das suas ocorrências factuais.

Ou seja, estudiosos (acadêmicos ou não) e membros da própria comunidade policial, "advogados" e ativistas, se misturam no trato do mesmo fenômeno.

Cada um de nós traz uma "história pessoal" e que vai determinar quem nós seremos nessa comunidade de interesse na segurança pública.

"Cada qual com seu cada qual"...