17 de ago de 2009

QUANDO ALÉM DE COMPETENTE A POLÍCIA TAMBÉM É "INTELIGENTE"




por George Felipe de Lima Dantas

17 de Outubro de 2002

Em 1996 a Inglaterra sediou o campeonato europeu de futebol, a 'Euro 96'. O governo britânico estava determinado a impedir que os espetáculos futebolísticos europeus na Inglaterra fossem empanados por ações criminosas e violentas de desordeiros de estádios, vindos de diferentes países, os já conhecidos "hooligans".

A Scotland Yard constituiu uma unidade especial para dirigir as atividades policiais dos jogos, fazendo parte dela uma 'célula de inteligência' equipada com computadores 'rodando' um software bastante conhecido nos meios policiais do 'Primeiro Mundo' [o 'i2 Analyst's Notebook' (Bloco de Apontamentos i2 do Analista)]. Esses computadores foram conectados, em rede, a uma base central de dados.

A maioria dos policiais dos países representados na "Euro '96" já utilizava computadores (com o mesmo tipo de software) para realizar análises criminais em prol das atividades internas de segurança pública nos seus respectivos países. Cada país participante da competição enviou um representante policial para a Inglaterra, com eles todos juntos atuando como 'elementos de ligação' com a polícia britânica. Computadores e software tornaram possível que fosse utilizada uma 'formatação comum' para a troca de inteligência sobre os "Hooligans", incluindo na rede todos os policiais dos diferentes países representados no certame desportivo.


“Saber muito não é o mesmo que ser inteligente; inteligência não é só informação, mas também juízo crítico ou a maneira como a informação é coletada e utilizada”. [Carl Sagan, astrônomo e escritor norte-americano (1934-1996)]
Assim foi que os analistas policiais britânicos usaram os recursos da informática para criar organogramas identificando individualmente os desordeiros de torcida ("hooligans"), bem como os vínculos entre eles. Tais 'representações gráficas' foram usadas nos 'briefings de segurança' realizados para os vários níveis gerenciais responsáveis pelos eventos desportivos, mostrando mapas de 'famílias de hooligans' (até mesmo de mais de um país...), em um trabalho de grande porte e complexidade.

Munidos de informações válidas e confiáveis, os responsáveis pelo policiamento lograram, desta forma, identificar problemas potenciais e preveni-los através da alocação de recursos policiais apropriados, posicionados que foram nos locais e ocasiões necessárias. As representações gráficas de informações produzidas com o auxílio do equipamento computacional foram incluídas nos 'pacotes de informação' de inteligência policial distribuídos às unidades de execução do policiamento.

Tais recursos provaram constituir-se em ferramenta poderosa de identificação de 'áreas e indivíduos problema', contribuindo significativamente para o sucesso do evento desportivo. Os "hooligans" freqüentemente eram interceptados e detidos antes mesmo que pudessem chegar aos estádios. A operação policial da 'Euro 96' conseguiu identificar e, por isso mesmo, prevenir problemas, tanto com a antecedência de dias, quanto de horas e até mesmo minutos de antecedência à realização das competições.

As unidades operacionais usaram a 'tecnologia do conhecimento' produzida por ferramentas informacionais, assegurando assim que os jogos pudessem ser apreciados em segurança pelo público presente, em uma atmosfera pacífica e ordeira. Ainda hoje a "Euro 96" é lembrada na Europa pela beleza do espetáculo futebolístico apresentado...


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