21 de nov de 2007

Os Sistemas de Informação Geográfica e sua Aplicação na segurança Pública

George Felipe de Lima Dantas -- 21 de novembro de 2007

Os Sistemas de Informação Geográfica são vulgarmente conhecidos como “GIS”, abreviatura da expressão equivalente em inglês -- Geographic Information Systems. Os GIS são consequência da modernização produzida na cartografia. Tal modernização é fruto da utilização da computação na produção de mapas, os quais, por sua vez, são representações reduzidas da superfície da Terra. Tais representações foram milenarmente desenvolvidas pela cartografia, técnica envolvendo as ciências e as artes de representar os espaços curvos e tridimensionais da Terra em superfícies planas como rochas, madeira, couro e finalmente papel. A computação não só tornou possível mapear de maneira automatizada a superfície da Terra, como também localizar nela, de maneira rápida e extremamente precisa, diferentes temas de interesse inclusive da gestão, a da segurança pública inclusive. Entre outros temas, é hoje possível, também, “mapear o crime” de maneira computadorizada...

Os GIS permitem estabelecer uma interrelação entre bases de dados distintas, quaisquer que sejam elas. É esse o caso quando categorias de dados do domínio da segurança pública são associadas e materializadas em mapas: (i) posição geográfica de uma ocorrência; (ii) tipo penal ocorrido e (iii) data e hora da ocorrência. Não menos importante é a associação de bases de dados relativas às características sócio-demográficas de vitimas e autores de infrações penais, bem como modus operandi. Assim, passa a ser possível às instituições do setor mapear infinitas possibilidades, como por exemplo, onde já foram perpetrados estupros por homens brancos, solteiros, de compleição física avantajada, contra estudantes adolescentes na volta da escola, na faixa horária de até duas horas após o término das aulas em uma determinada localidade.

Uma aplicação muito difundida dos GIS na atualidade é o mapeamento dos chamados “pontos quentes”, locais relativamente pouco extensos, onde existe um acumulo significativo de ocorrências criminais ao longo de pequenos lapsos de tempo e que, por isso mesmo, merecem atenção especial dos gestores da segurança pública no sentido de promover o controle do fenômeno que lá ocorra. Uma outra possibilidade importante dos GIS é o mapeamento que mostre a dinâmica de um determinado fenômeno delitivo ao longo do tempo. Tal dinâmica será representada em “mapas animados”, com eles mostrando a posição geográfica e densidade ou intensidade do fenômeno ao longo do tempo. Tal intensidade ou densidade será mostrada por intermédio de “manchas” que aumentam ou diminuem em um lapso de tempo apresentado de maneira compactada (fenômenos ocorridos ao longo das 24 horas do dia, por exemplo, podem ser visualizados em apenas alguns poucos minutos ou segundos...) diante dos olhos daquele que observa o “mapa animado”, em uma tela de microcomputador ou de projeção de equipamento multimídia.

Tudo aqui apontado é apenas uma pequena amostra das múltiplas possibilidades hoje existentes com a utilização dos GIS. A cada dia a análise criminal está cada vez mais associada ao chamado “mapeamento criminal”. O clássico modelo “DHL” (data, hora e local), outrora materializado em planilhas que demandavam elevado grau de abstração para o estabelecimento de inferências, cedeu lugar, com o mapeamento computadorizado, ao entendimento imediato de fenômenos claramente compreendidos por intermédio da “inteligência visual”. Afinal, como sugere o bordão, “uma imagem vale por mil palavras”...

2 comentários:

Anônimo disse...

A títulode informção o INPE disponibiliza gratuitamente algumas aplicações para apoio a geoprocessamento. Nós já as estamos utilizando em carater experinmental.

Ricardo disse...

Iria perguntar onde se pode conseguir um programa como este...
Mas vou seguir a orientação do comentário acima e verificar.