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1 de fev. de 2010

Tecnologia versus Tecnologia: Mocinhos e Bandidos na Era High-Tech




por George Felipe de Lima Dantas
em 1º de fevereiro de 2010, remontando a 9 de janeiro de 2008

Muito esclarecedora para a opinião pública a matéria "O espião britânico", publicada pelo"Correio Braziliense" em nove de janeiro de 2008. Ela refere o software (i-2) que vem sendo utilizado pelo Departamento de Polícia Federal (DPF) do Brasil, empregado por aquela instituição policial no sentido de possibilitar a determinação da autoria e materialidade de delitos de alta complexidade, o que talvez ajude a explicar um pouco os sucessos expressivos que o DPF vem tendo nos últimos anos. Certamente, entretanto, o DPF e outras instituições policiais do país, caso da Polícia Civil de Distrito Federal (DPF), estão hoje ombreadas com as melhores instituições congêneres de países desenvolvidos, no que tange a utilização de instrumentos tecnológicos "de ponta" em prol da moderna investigação criminal. A chamada "análise de vínculos" tem um papel destacado nisso.

Talvez seja interessante discorrer brevemente sobre a técnica (maneira de fazer) que a nova tecnologia (instrumento do fazer) apontada pelo "Correio" permite utilizar de maneira ainda mais eficaz.

Uma das características dos fraudadores modernos é a energia por eles devotada para a simulação (parecer que é o que não é...) e dissimulação (parecer que não é o que realmente é) do que fazem. Em termos concretos, a simulação e a dissimulação são possíveis graças ao emaranhado de registros que envolvem transações financeiras, licitações, comprovantes de renda e até mesmo instrumentos legais, que, articulados com tudo mais, produzem beneficio ilícito para este ou aquele indivíduo. É enorme o grau de dificuldade para perceber um crime sendo perpetrado em tal contexto...

Juntar todo um emaranhado de registros, ordenando-os de maneira concatenada e inteligível é um velho ofício dos investigadores de delitos de alta complexidade. Assim, a análise de vínculos ou de relações é o instrumento classicamente consolidado em prol da percepção e concatenação entre objetos e meios instrumentais do crime. Ela permite algo semelhante ao que faz o olho humano ao contemplar um quadro pontilista com milhares de diferentes pontos matizados de cores, mas que guardam uma mensagem gráfica lógica em pontos de uma só cor, apenas distinguida com especial atenção e concentração daquele que contempla.

É um enorme avanço tecnológico poder fazer algo semelhante em meio a um emaranhado de registros financeiros, contratos, extratos e toda sorte de outros documentos mais, visualizando ao final apenas o que aponta a materialidade e autoria de um determinado delito ou série deles.
Uma outra forma de compreender como funciona a moderna investigação de delitos de alta complexidade com a análise de vínculos, é imaginar poder encontrar, compreender, visualizar e depois representar graficamente todas as conexões de interesse entre entidades empenhadas no chamado "crime do colarinho branco".


A representação gráfica final se constitui em um verdadeiro "apelo" à inteligência visual, tipo de mecanismo cognitivo universalmente superior, em termos de compreensão imediata, aos da inteligência verbal ou matemática, já que os dois últimos demandam dons especiais e específicos por parte do analista ou de um mero observador desavisado de um determinado fenômeno.

A investigação criminal tem na busca da descoberta e da determinação precisa de padrões (atributo de entidades que guardam alguma similitude) uma das suas atividades focais clássicas. Várias são as técnicas utilizadas nesse sentido, estando objetivadas atualmente sobre conjuntos de registros de ligações telefônicas, redes de interação social (amigos, clientes, parentes, etc.), teias de registros eletrônicos de transações financeiras, organogramas de hierarquia entre pessoas e várias outras entidades coletivas mais.

Assim, a análise de relações ou de vínculos é feita desde muito tempo, só que de maneira "trabalho-intensivo", sendo vulgarmente conhecida no meio policial brasileiro pelo nome dado ao seu produto gráfico final de representação -- "bolotário" (teias gráficas desenhadas em paredes ou representadas em enormes colagens de papel). O que ontem era possível assim realizar com o concurso de vários investigadores e de enormes quantidades de tempo, passou a ser praticamente impossível em tempos modernos, quando milhares ou bilhões de dados são gerados e arquivados eletronicamente em computadores de toda espécie e neles guardados seguramente sob os mais diversos códigos de segurança e linguagens computacionais.

A contrapartida tecnológica da segurança pública são os instrumentos de análise também computacionais, caso do software i-2 comercializado no Brasil pelo grupo Tempo Real. O aplicativo i-2 é hoje utilizado inclusive em campos de batalha, conforme vem ocorrendo regularmente no Iraque, quando da identificação de suspeitos de atividades insurrecionais daquele país. Ele também é empregado em atividades de Inteligência voltadas para o controle do terrorismo, caso do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos da América em seus esforços contemporâneos de repressão a movimentos radicais.

Curiosamente, até mesmo o setor privado passou a beneficiar-se dessa mesma tecnologia investigativa, utilizando-a para o controle de fraudes e outros delitos com incidência sobre o patrimônio privado. É a tecnologia de controle dando resposta ao desafio de conter uma criminalidade que também faz uso de tecnologia... São os novos "mocinhos e bandidos" da iconografia do "bem contra o mal", mas que passam agora a guerrear com as armas da era high-tech"...

23 de ago. de 2009

Escola de Verão sobre Crime Organizado em Catania/Sicilia/Itália








SINDEPOL NA CATANIA/SICÍLIA/ITÁLIA


O Consórcio Europeu para a Pesquisa Política (ECPR) realizou a Summer School on Organised Crime (Escola de Verão sobre Crime Organizado) de 2009, em 29 de junho a 12 de julho, em Catânia - Sicília, Itália. Palestrantes de vários países abordaram assuntos do tema “Analisando e Combatendo o Crime Organizado: Teoria, Prática e Políticas”.


Devido palestra sobre esse assunto, proferida na Universidade de Leuven, na Bélgica no ano de 2006, por representante do SINDEPOL, tivemos a satisfação de receber um convite para falar no módulo “Lidando com o Crime Organizado na Prática”. O evento é anual e o folder permanece disponível no site da Universidade de Catania:




O representante do SINDEPOL e da IPA Brasil, seção 27, no evento foi o Delegado de Policia Federal Francisco Badenis, um especialista no assunto.


O Grupo de estudos sobre Crime Organizado (SGOC) foi criado no ano de 2001, em Grenoble, surgiu através de debates do (ECPR) e possui dois objetivos principais:
1) tornar-se uma linha diretriz sobre o estudo da criminalidade organizada na Europa e no mundo;
2) quebrar barreiras existentes entre o mundo acadêmico e as agências criminais (polícia/justiça) que trabalham nesta área;


O SGOC foi gerenciado para cumprir essa meta pelo aumento do número de seus membros, que se encontram regularmente em conferências (Grenoble 2001, Marburg 2003, Pisa 2007) e pela publicação de uma newsletter mensal.


O DPF Francisco Badenes abordou o tópico “Pensamento Crítico na Análise de Inteligência Criminal”, ilustrando com exemplos de casos concretos (expostos através de gráficos gerados pelo software Analyst´s Notebook, integrante do conjunto de ferramentas i2, utilizadas pelo DPF para assegurar uma melhor produção na qualidade de provas) e participando de uma “round table” com a Procuradora de Justiça Internacional em Kosovo, Carmela Giuffrida e Filippo Spiezia (Procurador do Eurojust) – Justiça da União Européia, sediada na Holanda.


Indagado sobre o evento, Badenes foi taxativo ao dizer: " é sempre uma satisfação receber um convite para palestrar num país nunca visitado anteriormente (bem como uma preocupação face a grande responsabilidade de privar com os demais palestrantes internacionais). E, sendo assim, como minha viagem incluía um final de semana livre, pensei na boa oportunidade de conhecer um pouco da bela região da Catania e seus arredores na Sicília. Como não sou afeto ao turismo convencional, nada melhor do que recorrer a IPA ( International Police Association), ou seja, ser recebido por colegas italianos, de maneira fraterna, podendo privar de uma atmosfera saudável, autenticamente italiana, sem as interferências indesejadas de um turismo sob a ótica exclusivamente comercial".


O SINDEPOL QUESTIONOU BADENES SOBRE O EVENTO, e este: "assim, aproveito para expor um pouco do que foi participar de um importante evento formal (palestra na Universidade de Catania, fundada em 1434), tendo como alunos estudantes graduados de excelente nível, oriundos dos Estados Unidos, Inglaterra, Escócia, Itália, França, Bélgica, Nigéria, e também analistas de Inteligência Criminal e policiais da Holanda e Grécia.


Naturalmente aproveitei a oportunidade para assistir e aprender com as excelentes apresentações, como a do Dr. Peter Klerks ( Academia de Polícia da Holanda “O Fenômeno do Crime Organizado e Estratégias de Inteligência”) e a apresentação final, realizada pelo Dr. Antonio Laudati, diretor do Centro de Gerenciamento de Justiça Criminal do Ministério da Justiça Italiano, o qual expôs, de forma extremamente didática, o histórico da máfia italiana, intercalando a descrição de eventos marcantes com suas próprias experiências, vivenciadas com o heróico Juiz Falcone.

O filiado Francisco Badenes é Delegado de Polícia Federal, exerce o cargo de Representante Regional do SINDEPOL e da Interpol na Superintendência Regional de Polícia Federal no Estado do Amapá. É membro da Associação Internacional de Polícia, seção 27/ Brasília.


Fonte: DCS/SINDEPOL


Fontes da Imagens:


9 de ago. de 2009

O CONTEXTO DO CRIME E AS BASES PARA A INTELIGÊNCIA ORGANIZACIONAL NAS POLÍCIAS JUDICIÁRIAS





O CONTEXTO DO CRIME E AS BASES PARA A INTELIGÊNCIA
ORGANIZACIONAL NAS POLÍCIAS JUDICIÁRIAS1


Professor Mestre Celso Moreira Ferro Júnior*
Professor Doutor George Felipe de Lima Dantas**


RESUMO: A complexidade da atividade criminal moderna é parte da complexidade maior de um
mundo globalizado e permeado por novas tecnologias de produção, captação e gestão do
conhecimento. Isso impõe que as organizações, aí incluídas as policiais, desenvolvam estruturas
tecnológicas e de gestão do conhecimento compatíveis com tal conjuntura. O presente artigo
apresenta algumas facetas genéricas dessa nova atividade criminal, bem como da nova cultura de
gestão do conhecimento desenvolvida pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) no enfrentamento do fenômeno delitivo. São mostradas algumas facetas teóricas e práticas do "Sistema Cérebro" da PCDF, o que modifica antigos procedimentos da ortodoxia da investigação policial clássica, abrindo novas fronteiras para uma necessária descoberta precisa e oportuna da consecução de ações delitivas típicas do início do século XXI. É mostrado como a PCDF, valendo-se de ações de inteligência de segurança pública, mormente da análise criminal em sua aplicação que é a Análise de Vínculos, trabalha hoje uma nova cultura técnico-profissional institucional traduzida, na modernidade, pelo que resulta da relação entre a Gestão do Conhecimento e a Inteligência Organizacional.